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Zandvoort: a montanha-russa holandesa que a F1 insiste em domar

Da história pós-guerra ao sprint inédito, Zandvoort é uma atração à parte na volta da F1.

Por Bruno Bandeira

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte

Se você achou que a pausa de verão era para descansar, pense de novo: a F1 retorna com tudo no GP da Holanda, em Zandvoort. E se você ainda não conhece o circuito, prepare-se para uma aula de história, física e pura adrenalina em um dos traçados mais charmosos do calendário.

Com 4,259 km, 14 curvas e 72 voltas, a pista que serpenteia pelas dunas de areia é uma relíquia viva. Aberta em 1948, na mesma safra de Silverstone, Zandvoort começou como uma mistura de asfalto permanente e estradas públicas — algo que devia deixar os moradores locais de cabelos em pé. O traçado original contou com consultoria do vencedor de Le Mans de 1927, Sammy Davis, e viu a F1 chegar em 1952 com um dominante Alberto Ascari, que liderou uma tripla da Ferrari. Depois de anos de altos e baixos até 1985, o retorno foi anunciado para 2020… mas a pandemia resolveu dar uma de piloto de teste e adiou tudo para 2021.

Os pilotos atuais usam palavras como ‘rápido’, ‘insano’ e ‘cafona’ para descrever a pista. E não é para menos: Zandvoort é uma montanha-russa entre dunas, com curvas inclinadas que fazem você se perguntar se está num autódromo ou num parque de diversões. Jolyon Palmer, ex-piloto de F1, explica que a inclinação da Curva 3 é tão absurda que todo mundo ‘sai correndo’ para a linha de fora. E o setor do meio, cheio de elevações, exige comprometimento total — porque um excesso de sobresterço ali é punido na hora.

Para a alegria dos engenheiros e desespero dos estrategistas, a F1 introduziu o ‘Modo Reta’ e o ‘Modo Ultrapassagem’. Em Zandvoort, dois trechos são de Modo Reta: a reta principal e o trecho entre as curvas 10 e 11. Já o Modo Ultrapassagem substitui o DRS, com um ponto de detecção antes da Curva 13 e ativação entre as curvas 13 e 14. Ou seja, os pilotos vão poder dar aquele ‘chega pra lá’ na reta dos boxes, mas só se estiverem a menos de um segundo do carro da frente. Tecnologia? Sim. Emoção? Com certeza.

E para fechar, algumas curiosidades: a última curva homenageia Arie Luyendyk e tem 18 graus de inclinação, quase o dobro de Indianápolis. Zandvoort é o único palco do GP da Holanda desde 1952, Jim Clark é o maior vencedor com quatro triunfos, e a Ferrari domina com oito. Ah, e este fim de semana marca a primeira corrida sprint da história em Zandvoort. Preparem os corações.

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