Williams ressuscita FW18 e Damon Hill reencontra a máquina que o fez campeão (e depois o dispensou)
Trinta anos após a temporada dos sonhos, o departamento Heritage da Williams restaurou a FW18 e levou Damon Hill de volta ao cockpit — com direito a emoção, pintura nova e uma pergunta que o mecânico já esperava.

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte
Em 1996, a Williams escreveu um capítulo tão dominante na F1 que até hoje os adversários devem ter pesadelos com a FW18. Foram 12 poles e 12 vitórias em 16 corridas, 21 pódios, e os títulos de pilotos e construtores. Tudo isso sob a batuta de Patrick Head e Adrian Newey, com Damon Hill superando o novato Jacques Villeneuve e finalmente deixando para trás o fantasma de 1994. Pois bem: 30 anos depois, a Williams Heritage decidiu que era hora de tirar o pó de um dos chassis mais queridos da história e devolvê-lo ao seu piloto original — ainda que, ironicamente, o time tenha dispensado Hill logo após o título.
A restauração do chassis 4, que venceu quatro corridas com Hill, foi um projeto de cinco meses digno de uma operação de coração aberto. A equipe liderada por Jonathan Kennard — que admite ser ‘um fãzasso de Damon desde criança’ — desmontou o carro até o osso, tirou a pintura, repintou, fez testes não destrutivos em diversos componentes, revisou hidráulica, câmbio e freios e ainda instalou uma célula de combustível nova. O melhor de tudo: contaram com alguns dos mecânicos originais de 1996 para remontar o carro — e, com o arquivo de engenharia da época a uma sala de distância, qualquer dúvida do tipo ‘por que fizemos assim?’ era respondida rapidamente.
No Festival de Velocidade de Goodwood, Hill, agora com 65 anos, reencontrou o velho amigo. As primeiras palavras dele ao ver a FW18 brilhando? ‘Ah, acho que repintaram, né?’, perguntou, apontando para o carro. Ian Mellor, mecânico da época, respondeu com a paciência de quem já previu tudo: ‘Sim, Damon!’. Mas o momento foi bem mais do que uma piada interna. Hill se emocionou ao voltar ao cockpit: ‘É um carro muito pessoal para mim. Feito sob medida para as minhas dimensões. Eu realmente me sinto em casa nele.’ E, depois de subir a rampa de Goodwood, ele resumiu a experiência com um sorriso: ‘É uma coisinha muito levada!’
A relação entre Hill e os mecânicos que o ajudaram a conquistar o título segue intacta, com direito a muita gozação e camaradagem. ‘Eles cuidaram de mim naquele ano e até hoje continuam cuidando’, disse Hill, grato. A Williams Heritage, que se autointitula guardiã das ‘joias da coroa’, já fez isso com outros pilotos — Juan Pablo Montoya, por exemplo, voltou ao cockpit da FW26 há alguns anos. Mas a FW18 tem um lugar especial: foi o carro mais bem-sucedido da história da equipe, e agora está pronta para emocionar de novo. Resta saber se alguém vai avisar a Damon que a pintura nova era para ter ficado em segredo.