Vettel na Ferrari: como Schumacher emplacou o amigo e deixou Alonso sem saber
Podcast F1 Rewind destrincha a chegada do alemão à Ferrari, com direito a conselho de Schumacher, Alonso alheio e anúncio atrapalhado da Red Bull.

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
Em 29 de novembro de 2014, Sebastian Vettel pisou pela primeira vez em uma Ferrari oficial, no circuito de Fiorano. Para o alemão, um momento quase místico: quando criança, ele passava de carro por Maranello tentando vislumbrar seu ídolo, Michael Schumacher, fazendo voltas na mesma pista. Só que, por trás da emoção, a Ferrari que ele encontrou já não era bem a que ele havia assinado para dirigir — e o podcast F1 Rewind, da The Race, resolveu contar essa história.
A confusão começou antes mesmo do anúncio oficial. Em 4 de outubro de 2014, num sábado de GP do Japão, a Red Bull soltou um comunicado informando a saída de Vettel. Mas, em vez de manchete, o título era ‘New Team Driver Line Up For 2015’, destacando a entrada de Daniil Kvyat. Ou seja: a notícia do século veio enterrada no rodapé, como quem não quer assustar ninguém. E a Ferrari? Ficou muda por sete semanas, enquanto o mundo inteiro já sabia para onde o alemão iria.
O podcast também derruba um mito: a ideia de que Vettel fugiu da Red Bull por causa do desempenho avassalador de Daniel Ricciardo em 2014. Segundo Edd Straw e Mark Hughes, a história começou bem antes — numa reunião entre Vettel e Luca di Montezemolo, o chefão da Ferrari, ainda na pré-temporada. Ali já havia um pré-contrato engatilhado. E, se alguém ainda duvida, as conversas sérias rolavam desde 2013, antes mesmo de Ricciardo virar pesadelo.
E como Schumacher entrou nisso? Montezemolo, cansado das frescuras de Fernando Alonso — que, quando vencia, o mérito era todo dele, e quando perdia, a culpa era do time — resolveu consultar o próprio Michael. O alemão, amigo próximo de Vettel, não pensou duas vezes: ‘O cara que você precisa para construir tudo é o Seb’. No fim, a triangulação Schumacher-Vettel-Montezemolo já estava armada, com o consentimento tácito do destino (e o infeliz acidente de esqui de Michael em dezembro de 2013, que não mudou os planos).
Enquanto isso, Alonso e seu empresário Flavio Briatore negociavam uma extensão de contrato com a Ferrari, alheios a tudo. A surpresa foi geral, até para Christian Horner, que recebeu Vettel batendo na porta e acionando uma cláusula de saída que ninguém sabia que existia. No fim, a Ferrari que Vettel abraçou era um projeto em ruínas, bem diferente do sonho de infância. Mas, para quem gosta de bastidores, é um prato cheio — e o F1 Rewind promete devorar cada migalha nos próximos episódios.