Verstappen e a ressaca do regulamento: pior primeiro semestre desde 2017 e um jejum que já dura 11 GPs
Com confiabilidade de foguete de festa junina, asa 'Macarena' e pneus que se desfazem, Max vê a Red Bull patinar e chega às férias em 6º, sem vitórias em 2026.

Há um ano, Max Verstappen era o protagonista de uma campanha épica pelo título, decidida na última curva a favor de Lando Norris. Em 2026, o roteiro virou outro: a Red Bull trocou o papel de vilã para virar a própria piada do regulamento técnico, e o holandês vive o pior primeiro semestre desde 2017, quando a equipe ainda brigava com o motor Renault e com a própria sombra.
Os números não mentem: Verstappen ocupa a sexta posição na tabela, com 109 pontos, quatro pódios e zero vitórias. É o mesmo lugar de 2017, mas com contexto bem diferente — naquela época ele ainda era o garoto recém-promovido da STR, agora é o tetracampeão que não vence há 11 corridas, desde Abu Dhabi do ano passado. Se o GP da Holanda, em 23 de agosto, terminar sem o hino neerlandês, o jejum chega a 12 provas, o segundo maior da carreira depois daquele intervalo de 30 corridas entre a primeira vitória e a segunda.
A lista de males da Red Bull parece um manual de como não fazer um ano: problemas de confiabilidade com a nova unidade de potência Ford, largadas que mais parecem sorteio, pneus que se degradam em três voltas e uma asa traseira flexível que ganhou o apelido de ‘Macarena’ e que, até agora, só dançou mesmo na hora errada. A asa foi introduzida em Miami, causou batidas na classificação da Áustria e da Grã-Bretanha, foi aposentada na Bélgica e voltou na Hungria para Verstappen rodar sozinho e, mesmo assim, salvar um segundo lugar. Sorte? Talento? O destino?
Enquanto isso, a equipe chegou a ver a Haas na frente no Mundial de Construtores, mas se recuperou com atualizações e sobe para o quarto lugar. Verstappen, que já classificou o RB22 como ‘indirigível’, reclama que não são só os pneus que degradam, mas o carro inteiro. Com 47% da potência vinda do elétrico e 53% da combustão, a gestão de energia virou um pesadelo, principalmente nas largadas. Resta saber se o recesso de verão vai recarregar as baterias — ou se o carro vai continuar consumindo elas mais rápido que o pit stop.
Para o holandês, a esperança é que a pausa sirva para a Red Bull encontrar o caminho. Mas, pelo jeito, o único recorde que a equipe está quebrando com facilidade é o de criatividade para novas formas de sofrer.