Vasseur minimiza rádio de Hamilton, mas Ferrari expõe falha de execução em Zandvoort
Chefe da Ferrari diz que perda de tempo atrás de Leclerc não foi determinante até o VSC, mas equipe admite contraste com agilidade da Mercedes em ordens de equipe.

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
O GP da Holanda escancarou um novo capítulo na novela das ordens de equipe na Ferrari. Depois de um fim de semana em que Lewis Hamilton terminou em quarto e Charles Leclerc em quinto, a equipe italiana viu o britânico desabafar pelo rádio durante o segundo stint, quando ficou preso atrás do companheiro — que estava com pneus médios ligeiramente mais velhos, enquanto Hamilton usava os duros. A insatisfação cresceu quando Leclerc não obedeceu de imediato à ordem de ir aos boxes, e Hamilton soltou: ‘Ótima maneira de perder tempo, pessoal, bom trabalho!’.
O chefe da equipe, Fred Vasseur, minimizou o episódio. Para ele, naquele momento Hamilton estava planejado para ir até o fim, então o tempo perdido seria irrelevante. Mas a chegada de um Virtual Safety Car (VSC) mudou o cenário: o pit stop ‘descontado’ de Hamilton o recolocou na caça a George Russell, e os cerca de 1,5 a 2 segundos perdidos atrás de Leclerc se tornaram a diferença entre o pódio e o quarto lugar. ‘Definitivamente frustrante para mim’, repetiu Hamilton, que ainda assim elogiou os upgrades da Ferrari.
O contraste com a Mercedes serviu de combustível para a crítica. Na corrida, a Mercedes executou uma troca de posições entre George Russell e Kimi Antonelli de forma imediata após o VSC, devolvendo o lugar ao jovem italiano. ‘Eles recebem a chamada e pronto, executam na hora’, disse Hamilton à F1 TV. ‘Eles deixaram o Kimi passar e seguir a corrida dele. Eu estava em uma estratégia diferente, e aqui não é assim. É um pouco difícil, mas vamos conversar.’ A observação teve um tom mais ácido dado o contexto do campeonato: Hamilton está 59 pontos atrás de Antonelli no geral, mas 28 à frente de Leclerc — ou seja, é o líder da Ferrari na classificação, e ainda assim não viu prioridade.
Leclerc, por outro lado, também saiu insatisfeito. Ele não foi ordenado a ceder a posição, mas recebeu a alternativa de ir aos boxes para resolver o impasse. O monegasco hesitou porque a parada veio apenas duas voltas após a de Russell, contrariando sua estratégia de construir uma diferença de pneus para atacar o Mercedes no fim. ‘Fiquei muito surpreso de parar tão cedo quando tínhamos feito exatamente o que queríamos’, explicou. ‘O George parou, e esse era o momento de fazermos cinco, dez voltas a mais para criar um delta de pneus e voltar no final.’ Apesar do azar com o VSC posterior, Leclerc insistiu que a equipe precisa reavaliar aquele segundo pit stop.
O rádio entre Leclerc e o engenheiro Bryan Bozzi mostra que a comunicação foi confusa: inicialmente veio o chamado de box, depois uma indagação do piloto, e só na volta seguinte a ordem foi confirmada. Para a Ferrari, o episódio evidencia um ponto sensível: com dois pilotos competitivos e um campeonato apertado, a execução de estratégia em tempo real vira um fator decisivo. Vasseur prefere destacar que a equipe não perdeu o pódio por causa daqueles segundos, mas a análise pós-corrida — e a pressão de Hamilton — deixam claro que o time precisa aprender com a agilidade da Mercedes para maximizar pontos quando as circunstâncias exigirem.