Toto Wolff vê ‘dimensão Senna’ em Antonelli e ainda pede calma
Chefe da Mercedes compara italiano a ídolo brasileiro, mas pede para não pressionar o jovem.

Foto: 1 de 2 Kimi Antonelli terminou o GP da Holanda no 2º lugar — Foto: John Thys/AFP / Foto original da matéria-fonte
Toto Wolff, chefe da Mercedes, resolveu brincar com fogo. Em entrevista à revista GQ Itália, ele afirmou que enxerga semelhanças entre Kimi Antonelli e Ayrton Senna, ídolo declarado do piloto italiano. Detalhe: Wolff já havia pedido publicamente para não compararem o jovem com o tricampeão. Mas, como diria o poeta, o coração fala mais alto – ou a língua, nesse caso.
Segundo o dirigente, quando Antonelli está dentro de um F1, ele entra em uma espécie de transe. ‘Quando ele entra no modo de corrida, fica completamente absorto. Às vezes, você fala com ele pelo rádio e ele nem te ouve, porque está imerso em seu próprio mundo. Quando sai do carro, parece ausente, como se precisasse se recalibrar: Kimi está de volta ao planeta Terra’, disse. Ou seja, o garoto é tão focado que talvez precise de um sinal de wi-fi para voltar à realidade.
Apesar da comparação, Wolff tentou se esquivar: ‘É fascinante. Não quero fazer comparações com Senna, mas, assim como ele, Kimi tem essa dupla dimensão.’ É o clássico ‘não quero comparar, mas comparo’. Em julho, na Gazzetta dello Sport, ele era outro: pedia equilíbrio e lembrava que Senna conquistou três títulos, enquanto o pupilo tinha apenas cinco vitórias – na época. Depois, o italiano venceu na Bélgica e chegou a seis.
Os números do campeonato explicam o entusiasmo: Antonelli lidera com 242 pontos, contra 183 de George Russell e Lewis Hamilton, empatados. São seis vitórias e seis poles na temporada. No último GP, na Holanda, ele ainda subiu ao pódio em segundo lugar. Para alguém que supostamente está com a cabeça no mundo da lua, não vai nada mal.
Resta saber se a ‘dupla dimensão’ de Antonelli vai resistir à pressão. Com um chefe que o compara a Senna e uma torcida que espera o novo messias, o jovem italiano vai precisar continuar com os pés no chão – ou, pelo menos, encontrar um bom piloto automático para voltar à Terra depois das corridas.