Grid Geral
F1

Rua com 14 imóveis e R$ 2,5 bilhões para entrar? Sim, é o paddock da F1

Com motorhome de 3 andares, guindaste integrado e montagem em 48h, a Audi chegou chegando na 'avenida mais exclusiva' da categoria.

Por Bruno Bandeira

Imagine uma rua de 300 metros com apenas 14 imóveis. Para ter uma casa ali, é preciso desembolsar cerca de R$ 2,5 bilhões. Não, não é a nova cobertura do Leblon: é o paddock da F1, a ‘avenida mais cara do mundo’. Só 11 equipes, além da própria categoria, da Pirelli e da FIA, têm o privilégio de estacionar seus motorhomes no endereço mais cobiçado do automobilismo durante os GPs. E os valores são astronômicos: a Cadillac teria pago R$ 2,5 bilhões para entrar, enquanto a Audi investiu cerca de R$ 3,6 bilhões na aquisição da Sauber.

Na fase europeia do calendário, o paddock vira uma verdadeira vila sobre rodas, com as equipes levando suas ‘casas’ para receber convidados, dar descanso aos pilotos, alimentar a tropa e até abrigar simuladores. Foi nesse cenário que o mais novo morador estreou, no GP de Mônaco: o motorhome da Audi. São três andares, mais de 600 metros quadrados, 40 contêineres, 70 toneladas e mais de 30 caminhões para transportar essa mini-obra de engenharia. E o melhor: tudo isso fica de pé em menos de 48 horas, com mais de 20 pessoas trabalhando na montagem.

O segredo para tanta velocidade é um guindaste embutido na própria estrutura, que encaixa as peças como um ‘brinquedo gigante de montar’. Enquanto outras equipes dependem de elevadores que bloqueiam o paddock, a Audi se movimenta com muito mais flexibilidade. Catja Wiedenmann, diretora de live marketing da equipe, explica que o grande desafio era justamente criar uma estrutura capaz de ser desmontada e remontada em ritmo de pit stop. ‘Precisávamos de uma estrutura que pudéssemos desmontar e montar com extrema rapidez’, disse. Pit stop de engenharia, literalmente.

A ‘corrida que ninguém vê’ começa quando o vencedor recebe a bandeirada. No domingo, enquanto você digere o resultado, os times já iniciam a desmontagem. Na segunda-feira, a caravana parte rumo ao próximo circuito, muitas vezes a mais de mil quilômetros de distância. Depois do GP da Áustria, a fila seguiu para Silverstone; após a Bélgica, o destino foi Budapeste. São 31 caminhões apenas da Audi – agora multiplique por 11 equipes. Catja até brinca: ‘Precisamos pensar onde vamos abastecer, porque a fila será muito longa’. Uma epopeia logística digna de documentário.

Então, da próxima vez que você assistir a um GP, lembre que ali fora acontece outra disputa: a de montar a rua mais luxuosa do mundo antes da quinta-feira, quando os times já recebem convidados. Em um esporte onde cada milésimo importa, a eficiência nos bastidores também define campeões. E com seu guindaste de ‘Lego’, a Audi parece ter saído na frente nessa prova. Ou melhor, nessa obra.

paddockmotorhomeAudilogistica

Ver cards para Stories →

← Voltar à capa