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F1

Rafael Camara: o brasileiro da Ferrari que está a um passo (ou dois) da F1

Campeão na F4, na Fórmula Regional e na F3, o pernambucano Rafael Camara agora brilha na F2 e faz a Ferrari coçar os dedos. E pensar que tudo começou com um irmão que desistiu do kart...

Por Bruno Bandeira

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte

A temporada de negociações para 2027 ainda nem esquentou, mas já tem nome fazendo barulho nos bastidores: Rafael Camara. O brasileiro de Recife, de 21 anos, é a nova joia da Ferrari Driver Academy e, com um currículo de dar inveja, trata de ser o centro das atenções. E olha que a veia automobilística vem de berço: a avó dele, Niege Rossiter, foi pioneira no motorsport pernambucano nos anos 1960. O irmão mais velho, esse, até tentou, mas desistiu depois de 18 meses no kart. Rafael, aos cinco anos, já sabia o que queria: pediu ao pai para começar quando tivesse a idade mínima. Aos seis, estava na pista. Nessa hora, o irmão deve ter pensado: ‘deixa com ele’.

A ascensão foi rápida. No kart, faturou a WSK Champions Cup e a WSK Super Masters Series em 2021, e ainda foi vice no Europeu da CIK-FIA, atrás de um tal de Kimi Antonelli — sim, o mesmo que hoje lidera a F1. Depois, foi só colecionando títulos: na F4, na Fórmula Regional Europeia com sete vitórias, e na F3, onde conquistou o campeonato com uma rodada de antecedência, com quatro vitórias e cinco poles, igualando o recorde de Arvid Lindblad em aproveitamento de vitórias. Não é à toa que a Ferrari o mantém por perto, com contrato de exclusividade e um sorriso de orelha a orelha.

Na atual temporada da F2, Camara está em terceiro no campeonato, a 22 pontos do líder Nikola Tsolov, mas com um cartão de visitas e tanto: quatro poles (líder da grid) e duas vitórias, em Barcelona e Spa. E olha que ele não facilita para a própria vida. Em Mônaco, neste ano, ele bateu no muro no primeiro giro, danificou a suspensão traseira e fez a Invicta correr contra o tempo. Com uma bandeira vermelha ajudando, voltou para a pista e, no segundo giro rápido, cravou a pole. Nada mal para alguém que, segundo o chefe de equipe da TRIDENT na F3, Giacomo Ricci, ‘às vezes as coisas parecem fáceis’. Fácil para ele, talvez; para a concorrência, nem tanto.

A sina de aprender com os erros também é um trunfo. Em 2024, na Fórmula Regional, ele perdeu a vitória em Imola por não gerenciar bem os pneus; na corrida seguinte, em Barcelona, tratou dos compostos como um maestro e venceu. Este ano, em Mônaco, um erro no aquecimento dos pneus o tirou da corrida; de novo em Barcelona, no fim de semana seguinte, ele fez o macio durar mais que todo mundo e levou a vitória. O chefe da Ferrari Academy, Jerome D’Ambrosio, elogia a frieza sob pressão: ‘Ele parece mais relaxado do que todos nós. Isso é uma força’. Com essa calma, não é surpresa que o paddock já o veja como um futuro titular na F1. Se confirmar, será uma das ascensões mais completas dos últimos tempos — e o Brasil, que anda carente de ídolos no grid, já pode ir ensaiando o grito de ‘Rafa Camara’.

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