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F1

Produtor de ‘Drive to Survive’ abre o baú e escolhe os episódios que valem a reprise

Tom Rogers, o cérebro por trás do sucesso da Netflix, entrega os bastidores dos episódios mais marcantes — e a gente não poupa comentários afiados.

Por Bruno Bandeira

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte

Enquanto a F1 tira férias (merecidas) e deixa os fãs órfãos de velocidade, a Netflix segue de prontidão: são oito temporadas e 78 episódios de ‘Drive to Survive’ esperando para serem devorados. Para ajudar na maratona, o co-produtor executivo Tom Rogers resolveu brincar de ‘melhores momentos’ e escolheu alguns episódios que, segundo ele, definem a essência do show. E como todo bom editor, a gente aqui do Grid Geral não perdoa: já pegamos a pipoca e os comentários afiados.

Começando pela pedrada: ‘Boiling Point’ (T2E2) é a consagração de Guenther Steiner, o chefão da Haas que virou estrela involuntária. Rogers lembrou da cena icônica do ‘bate a porta’ e da panela de macarrão que fervia enquanto ele tentava manter a calma. A metáfora é saborosa: a pressão do cargo literalmente estourando na cozinha. E o melhor: Steiner jura que nunca assistiu à série. Rogers acredita — e a gente também, porque o sujeito não mudou nada em todos esses anos. Autenticidade é tudo, inclusive quando ela vem com pasta no fogo.

Mas nem só de caos haasiano vive o documentário. ‘Dark Days’ (T2E4) é aquele episódio em que a Mercedes, depois de recusar participar da primeira temporada, topou aparecer com uma condição: filmar em apenas uma corrida. Sorte deles que a escolhida foi Hockenheim 2019, uma das piores atuações da equipe na história recente — e todos estavam fantasiados, porque isso é normal. Em vez de bater em retirada, a equipe deixou as câmeras rodarem. Coragem, ou talvez masoquismo. Rogers classificou como ‘bravo’, a gente chama de material perfeito para um Emmy.

Falando em prêmio, ‘Man On Fire’ (T3E9) roubou a cena e a estatueta. O episódio do acidente de Grosjean é de tirar o fôlego, mas Rogers lembrou que a segunda metade é igualmente cinematográfica: a virada de Sergio Pérez de último para primeiro. Ou seja, um episódio que tem drama, superação e ainda registrou o único caso de duas pessoas na tal ‘cadeira do Netflix’ — Romain e a esposa, em dose dupla. Já ‘Blood, Sweat & Tears’ (T2E9) é o retrato cru de uma equipe que não conseguiu nem largar para os testes. A Williams de 2019 virou aula de engenharia, e Rogers aproveitou para comparar com o atual sufoco de algumas equipes, citando a Aston Martin como quem engoliu um manual de recuperação. Fica o aviso: nem só de pilotos vive a F1, tem gente suando no chão de fábrica.

E para fechar com chave de ouro, ‘In The Heat of The Night’ (T7E7) mostrou os pilotos virando Você por um dia, com câmeras na mão e uma Singapura que rendeu material para cinco episódios. Rogers destacou a solidão da vida de piloto — hotéis, tédio, saudade de casa — e o alívio que a presença da parceira de George Russell, Carmen, significava para o britânico. Nada como um abraço para não enlouquecer no paddock. O pedido do produtor é simples: quanto mais os pilotos e equipes se abrirem, melhor o show. E nós aqui só concordamos, porque se depender do nosso sofá, que venham mais 78 episódios.

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