Pneus ‘balão’ continuam: F1 ignora apelo dos pilotos e mantém pressão alta
Proposta da Pirelli para baixar calibragem com ajuda de bandeira preta e laranja é rejeitada pelas equipes; Bearman segue ‘andando em balões’.

A F1 segue firme na decisão de manter os pneus mais duros que o pé de um dançarino de forró. As equipes rejeitaram a proposta que permitiria à Pirelli reduzir as pressões mínimas para o restante da temporada — e os pilotos, que já comparavam a experiência a dirigir sobre balões, terão que continuar segurando o volante com força extra.
O problema nasceu com a aerodinâmica ativa de 2026. Como o nível de downforce muda entre os modos de reta e de curva, a carga vertical nos pneus varia bastante. Se um carro ficar preso no modo de curva durante uma reta, o risco de falha extrema exige calibragens mais altas: cerca de 3 a 4 psi acima do ano passado, dependendo do circuito. Foi na etapa de Barcelona que o britânico Ollie Bearman, da Haas, resumiu o drama: ‘Temos muito ar nos pneus agora, e é um pesadelo absoluto’.
A Pirelli até tentou resolver com uma engenharia social: a proposta era mostrar bandeira preta e laranja para qualquer carro que ficasse cinco voltas preso no modo de curva, forçando-o a ir aos boxes e, se não houvesse conserto, abandonar. Com isso, sem risco de uso prolongado no modo errado, as pressões poderiam cair para níveis mais civilizados. A FIA achou a solução viável, mas ela precisava de supermaioria das equipes para ser aprovada.
Não rolou. Alguns times temem que mudar a calibragem no meio da temporada atrapalhe o acerto de seus carros; outros acreditam que um piloto pode ‘sobreviver’ com a asa travada e ainda pontuar. Resultado: pneus continuam cheios até o fim do ano — e provavelmente até 2027. O engenheiro-chefe da Pirelli, Simone Berra, não se surpreendeu e disse que a maioria preferiu manter a pressão alta. ‘Para nós, tudo bem.’ É bom para a Pirelli; para os pilotos, resta continuar enchendo o tanque de pneus, e não de esperança.