Perez solta o verbo: Cadillac estagnou, mas ele ainda sonha em andar na frente (um dia)
Em entrevista ao podcast Beyond The Grid, o mexicano admite que a equipe nova não evoluiu como esperado, mas garante que meio segundo já mudaria tudo. Ou seja: a esperança é a última que morre.

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte
Sergio Perez é um cara paciente. Depois de anos brigando por vitórias na Red Bull, ele agora vive a realidade de uma equipe nova que está aprendendo a andar — e, convenhamos, ainda engatinhando. Em entrevista ao podcast oficial da F1, Beyond The Grid, o mexicano foi sincero ao admitir que a Cadillac teve que parar e repensar tudo após uma sequência de decepções. Segundo ele, a equipe não melhorou ’tanto quanto esperávamos’. Tradução: o progresso está mais devagar do que uma volta de safety car em Mônaco.
A Cadillac estreou no grid em Melbourne e até empolgou com o 13º lugar de Valtteri Bottas na China, mas depois veio a realidade: uma enxurrada de problemas de confiabilidade e um desempenho que estagnou. Perez, que chegou a dizer que se sente ‘muito mais que um piloto’ no projeto, reconheceu que a equipe precisava revisar todos os processos. ‘Tem muita coisa aí, não é só um problema’, filosofou. É o tipo de análise que todo engenheiro adora ouvir: ‘a gente não melhorou porque não melhorou’.
Para dar uma sacudida, a Cadillac trocou o chefão: Marcin Budkowski chegou no lugar de Graeme Lowdon antes do GP da Holanda. Perez, que é só elogios ao novo líder, acredita que há margem para evoluir em tudo — operação, pit stops, estratégia, pneus. ‘É só a nossa 10ª ou 11ª corrida na história’, lembrou o mexicano, como quem pede paciência. E completou com uma dose de otimismo: ‘Se a gente achar meio segundo ou um segundo, nossa vida muda completamente’. Ou seja, na F1 até um abacaxi pode virar uma laranja com o tempo certo.
Perez também foi questionado se é difícil se motivar brigando lá atrás, e a resposta foi digna de um veterano sábio: a linguagem é a mesma, esteja você lutando por título ou pelo 18º lugar. Como exemplo, citou a Aston Martin, que estava no fundo e de repente apareceu brigando na frente. ‘Em dois ou três meses, eles deram um salto gigante’, disse. Talvez seja essa a esperança da Cadillac: que um dia desses o milagre aconteça. Afinal, se até a Aston Martin conseguiu, por que não eles? A fé é a última que morre — e o cronômetro, esse, continua rodando.