O fracasso que virou aula: como um upgrade desastroso em 2024 impulsionou a Racing Bulls em 2026
Equipe que quase se afundou com um pacote que não funcionou agora colhe os frutos do aprendizado — e ainda acha graça disso.

Dizem que sucesso não ensina nada; são os tombos que trazem sabedoria. Na Racing Bulls, essa máxima ganhou um capítulo irônico: o time que hoje é o quinto colocado entre as equipes médias da F1 credita parte do bom momento a um dos piores fins de semana de sua história recente. O fracasso de um pacote de atualizações em 2024, que parecia um desastre na época, acabou virando o alicerce de uma fase áurea.
A história começa no GP da Espanha de 2024, quando a então RB chegou a Barcelona com um upgrade robusto: nova asa traseira, sidepods revisados, cobertura de motor e assoalho reprojetado. Tudo lindo no wind tunnel, tudo horrendo na pista. Yuki Tsunoda e Daniel Ricciardo morreram no Q1, e na corrida o máximo que conseguiram foi um 15º lugar a 30 segundos da zona de pontos. O pacote não apenas não funcionou — ele simplesmente desmontou o progresso que o time havia construído no início daquele ano, jogando a equipe para a oitava posição no final da temporada.
O chefão Alan Permane, com a franqueza de quem já viu de tudo, explica o tamanho do estrago: ‘É uma dupla penalidade, né? Você perde quatro semanas de desenvolvimento, mas também não entende por que aquilo não funcionou. Isso é horrível. É a pior coisa.’ Mas, como o próprio time faz questão de salientar, foi exatamente essa dor que ensinou onde realmente se deve focar. ‘Aprendemos muito sobre aquele carro, sobre o que o torna rápido’, diz Permane. Mal sabia ele que o calvário de 2024 seria o combustível para a arrancada de 2026.
Hoje, a Racing Bulls vive outra realidade. Cada peça nova que chega à pista funciona, como se o time tivesse aberto um portal de correlação túnel-pista. Liam Lawson, que está no time há cinco anos (com alguns intervalos), afirma que nunca viu o time tão por cima: ‘No lado do desenvolvimento, é de longe o mais forte. Tudo o que trouxemos funcionou muito, muito bem.’ A sequência de upgrades certeiros incluiu um pacote que apareceu na Bélgica e consolidou o quinto lugar no campeonato — um salto impressionante para quem já se arrastou no fim do pelotão do meio.
Permane, claro, não vai entregar a receita mágica. Ele até admite que nem sabe se contaria se soubesse, porque ‘vê outras equipes se atrapalhando, prometendo asas dianteiras fantásticas que não entregam nada’. Parte do mérito vai para a dupla Tim Goss e Dan Fallows, velhos conhecidos do esporte, e também para a mudança para a nova base no campus da Red Bull em Milton Keynes — não por qualquer vantagem técnica, mas porque o ambiente de trabalho melhorou drasticamente. ‘Comparado ao nosso antigo galpão em Bicester, é a diferença entre o céu e o inferno’, brinca. Pois é: o fracasso de 2024 foi a dor, e a nova sede, o remédio. Que outros times se cuidem, porque essa Racing Bulls aprendeu a lição e está aplicando com juros.