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F1

O boletim da Aston Martin: do fundo do poço ao ‘upgrade’ que deu sinal de vida

Com um P10 em Mônaco, um Q2 na Hungria e um pacote de atualizações que finalmente funcionou, a Aston Martin chega ao intervalo com motivos para sorrir (mas sem exagerar).

Por Bruno Bandeira

Se a primeira metade da temporada fosse um boletim escolar, a Aston Martin teria que explicar muitas notas vermelhas para os pais. A equipe britânica estacionou em penúltimo lugar no Mundial de Construtores e passou os primeiros 10 GPs olhando o retrovisor na esperança de não ser engolida por Cadillac. Mas, como todo bom drama, a história teve um capítulo de esperança logo antes das férias: o pacote de atualizações levado à Hungria, que ao menos tirou o time do fundo do pelotão em termos de ritmo.

O ponto alto em termos de resultado foi o 10º lugar de Fernando Alonso em Mônaco, conquistado com estratégia agressiva e uma ajudinha do destino. O espanhol, aliás, tratou aquilo como um ‘presente’ para a equipe. No papel, porém, o momento mais importante nem foi o resultado monegasco, e sim a confirmação de que as mudanças aerodinâmicas e mecânicas surtiram efeito no Hungaroring. Pela primeira vez na temporada, os dois carros conseguiram se misturar ao pelotão intermediário por mérito próprio, e não por desistência alheia.

Nos confrontos diretos, Alonso domina com folga: 9 a 2 na classificação e 6 a 2 nas corridas (com três provas sem nota, já que ambos os pilotos abandonaram na Austrália, China e Barcelona). O canadense Lance Stroll, porém, deu o troco em Budapeste, com um 13º lugar que foi sua melhor posição no ano — logo à frente do companheiro de equipe. Detalhe: Alonso tem o único Q2 da equipe na temporada, o que diz muito sobre o quão sofrida foi a vida dos dois até aqui.

Se o presente é complicado, o passado recente foi um verdadeiro pesadelo. A Aston Martin chegou atrasada ao shakedown de Barcelona, teve problemas crônicos de vibração na Austrália e sofreu com a confiabilidade da unidade de potência da Honda, acumulando apenas um terço da quilometragem da Mercedes nos testes. Adrian Newey admitiu que a decisão de esperar tanto para trazer o pacote grande foi ‘dolorosa’ — afinal, o time ficou parado no tempo por 10 etapas enquanto os concorrentes evoluíam. Mas, se em Hungria o carro respondeu, talvez tenha valido a pena.

Para o segundo semestre, a esperança é de que o upgrade seja a base para algo maior. Alonso, otimista, falou em uma ‘nova largada de campeonato’ após a corrida em Budapeste, e Mike Krack, chefe de pista, prometeu ‘ver o que podemos destravar nas próximas corridas’. A equipe ainda terá uma atualização de motor a chegou em Zandvoort. Resta saber se a Aston Martin vai usar isso para, enfim, mostrar que o passado de pódios não ficou tão distante assim — ou se o segundo semestre vai servir apenas para treinar o pessoal do resgate. Spoiler: a torcida quer o primeiro caso.

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