No meio do ano, o espelho retrovisor aponta os donos da garagem
Duelos entre companheiros de equipe na 1ª metade de 2026 mostram domínio, equilíbrio e uma ou outra zebra — principalmente para quem não vê a bandeirada.

Se a temporada 2026 já é um prato cheio para os fãs de F1, a briga interna nas equipes é um campeonato à parte. Nesta metade do caminho, os números dos confrontos entre companheiros de equipe mostram quem está voando, quem está sobrevivendo e quem já decorou o caminho de volta ao pit lane. E, como sempre, a matemática não perdoa — ainda mais quando o carro resolve não andar.
Na ponta de cima, a Mercedes é Antonelli: o italiano lidera o Mundial e também os confrontos com Russell, vencendo por 7 a 4 na classificação e na corrida, com seis poles e seis vitórias nesses embates. George, coitado, tem dois abandonos contra um do companheiro — especialista em atalhos para o paddock. Na Ferrari, o equilíbrio reina: Leclerc leva a classificação por 6 a 5, Hamilton devolve na corrida pelo mesmo placar, e cada um tem uma vitória. Se existisse um prêmio para a dupla mais democrática, eles brigariam pelo troféu. Na McLaren, Norris domina os sábados (7 a 4), iguala nos domingos (5 a 5) e ainda guarda a única vitória da equipe. Piastri, provavelmente, já anotou no calendário os circuitos em que o carro funciona.
A Red Bull não esconde a hierarquia: Verstappen passa Hadjar por 8 a 3 na classificação e na corrida, mas o holandês também coleciona três abandonos — dois a mais que o novato. Seria uma tentativa de dar uma ajudinha para o companheiro? Não, é só a lei de Murphy. Na Racing Bulls, Lawson leva a melhor nas corridas por 8 a 3 e fica no apertado 6 a 5 na classificação, com a dupla somando cinco dobradinhas em pontos. Na Alpine, Gasly é um predador de sábado: 9 a 2 na classificação, mas o domínio cai para 7 a 4 na corrida. Colapinto, enquanto isso, já conhece a traseira do carro de Gasly tão bem que poderia desenhá-la de olhos fechados.
Na Haas, Bearman faz o dever de casa: 8 a 3 na classificação e 7 a 4 na corrida, mas também lidera o campeonato de DNFs da equipe com três — enquanto Ocon, imune a quebras até aqui, deve se perguntar se o britânico está testando a resistência do bólido. Na Audi, a dualidade é evidente: Hulkenberg leva a classificação (6 a 5), Bortoleto domina as corridas (7 a 4), e o brasileiro ainda tem a vantagem de terminar as provas — algo que o alemão não faz com frequência, com três DNFs e um não início. Williams, por sua vez, vive os números de Sainz: 9 a 2 na classificação e 6 a 5 na corrida sobre Albon. E, para não deixar dúvidas, esses também são os pontos de cada um: seis para Sainz, cinco para Albon. Ou seja, a equipe pontua quando alguém vê a bandeirada.
Por fim, a Aston Martin parece ter feito um seguro de vida para os pilotos: Alonso lidera 9 a 2 na classificação e 6 a 2 na corrida, mas os dois carros se aposentaram juntos em três GPs. Com esses números, o engenheiro-chefe deve andar com um rosário no pescoço. Assim, esses confrontos mostram que, na F1, o espelho retrovisor nunca mente: se você vê o carro do companheiro à frente, ou está dominando, ou está se acostumando com a vista. A temporada ainda vai virar, e as contas podem mudar. Mas, por enquanto, o que não falta é história para contar — e números para discutir no boteco.