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F1

Na vez de Russell, até o Cristo Redentor fecha os braços

Favorito após a pré-temporada, britânico coleciona desventuras enquanto Antonelli vence e lidera o Mundial.

Por Bruno Bandeira

Foto: 1 de 7 George Russell saiu irritado após abandonar o GP da Bélgica — Foto: Christian Hartmann/Reuters / Foto original da matéria-fonte

Se a vida tivesse um botão de ‘dane-se’, George Russell provavelmente o apertaria ao ver o calendário do primeiro semestre de 2026. Favorito ao título depois de uma pré-temporada impecável, o britânico viu a sorte virar as costas — ou, como diz o meme, o Cristo Redentor fechar os braços — e se transformar numa coletânea de desventuras digna de roteiro de comédia. Enquanto isso, do outro lado da garagem, Kimi Antonelli sorri, lidera o Mundial e transforma a Mercedes em um caso de polícia: cadê o favorito que estava aqui?

A história começou bem. Muito bem, aliás. Russell venceu na Austrália com a tranquilidade de quem está no controle. Na China, porém, o pesadelo começou de forma sutil: uma falha na unidade de potência no Q3, seguida de uma vitória de Antonelli. O italiano assumiu a liderança do campeonato no Japão, depois que Russell, vítima de um pit stop mal calculado antes do safety car, viu Piastri e Leclerc passarem como quem atravessa a rua. De quebra, a Mercedes ainda tentou explicar que o ajuste na suspensão traseira era para melhorar, mas o carro parecia ter opinião própria.

Miami, Canadá e Mônaco completaram o mosaico do azar. Em Miami, Russell terminou em quarto, reclamando dos pneus duros que ‘escorregavam como sabonete’. No Canadá, a bateria resolveu dar tchau, e o abandono abriu 43 pontos de vantagem para Antonelli. Em Mônaco, a cereja do bolo: punição por excesso de velocidade nos boxes mantida mesmo depois que os comissários admitiram erro na medição. Sim, você leu certo: eles erraram, mas a punição ficou. A Mercedes desistiu de apelar, talvez por vergonha alheia.

No GP da Espanha, Russell finalmente voltou ao pódio com um segundo lugar, mas até isso teve um gostinho amargo: quem venceu foi Lewis Hamilton, agora na Ferrari, e quem abandonou foi Antonelli. Ou seja, em vez de reduzir a desvantagem, Russell viu o ex-companheiro de equipe roubar a cena na Catalunha. A essa altura, sobra a pergunta: onde está o Russell que encantou na pré-temporada? Provavelmente no mesmo lugar que o pneu traseiro direito dele no Canadá: desaparecido.

Resta saber se o segundo semestre será mais generoso com o britânico. Russell já provou que tem talento de sobra — e uma habilidade quase sobrenatural para atrair desventuras. Se depender da torcida, o Cristo Redentor vai abrir os braços no Brasil. Mas, convenhamos, depois de tanta desgraça, talvez ele prefira ficar de braços cruzados mesmo.

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