‘Não temos dinheiro’: Mercedes explica estratégia conservadora de desenvolvimento no teto orçamentário
Chefe da equipe alemã admite falta de recursos para acompanhar ritmo de McLaren e Ferrari, e afirma que estratégia de gastos será julgada no fim da temporada.

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
A Mercedes admitiu que não tem capacidade financeira para responder à reação da McLaren com um pacote de atualizações de emergência. Em Zandvoort, onde Lando Norris venceu pela segunda vez consecutiva, o chefe da equipe, Toto Wolff, foi direto: ‘Não temos dinheiro para colocar desenvolvimentos no carro.’ A declaração surge após a McLaren apresentar um grande salto de desempenho com um pacote de duas etapas introduzido entre as etapas da Hungria e da Holanda, deixando o líder do campeonato, Kimi Antonelli, convencido de que a Mercedes não tem mais o carro mais rápido.
Os números da FIA referentes a atualizações declaradas em 2026 mostram a diferença: a Ferrari introduziu 40 novos componentes, enquanto Red Bull e McLaren apresentaram 38 cada; a Mercedes aparece com apenas 24. Uma análise ponderada, que atribui um custo estimado a cada peça, coloca a Red Bull no topo entre as quatro principais equipes, seguida de perto pela McLaren, com a Ferrari em terceiro e a Mercedes bem atrás. A equipe alemã não traz uma grande atualização desde o GP do Canadá e optou por não levar novidades relevantes para Zandvoort.
Wolff explicou que a estratégia da Mercedes desde o início da temporada é distribuir os desenvolvimentos ao longo do ano, com base em cálculos para maximizar a pontuação no campeonato. ‘Estamos tentando dividir isso uniformemente ao longo da temporada, com base em nossos cálculos de quando podemos trazer as maiores atualizações e otimizar os pontos. Simplesmente não podemos fazer o que não podemos fazer’, disse. O dirigente também rejeitou a teoria de que a equipe tenha gasto demais no desenvolvimento inicial do projeto de 2026: ‘Deixamos entre 50 e 100 pontos na mesa com problemas de confiabilidade, o que nos daria uma vantagem um pouco maior hoje.’
A McLaren, porém, não compra a versão de Wolff. O chefe da equipe, Andrea Stella, afirmou que não acredita que a Mercedes esteja realmente limitada pelo teto orçamentário, especialmente com a permissão extra de duas parcelas de US$ 3 milhões adicionadas ao regulamento para ajudar as equipes na transição para as novas regras de unidade de potência. ‘Tenho certeza de que a Mercedes, ao ver que os rivais estão elevando o jogo, vai investir agora em desenvolvimento. Certamente está acontecendo nos bastidores. Aposto que o carro no túnel de vento é bem mais rápido do que o que eles têm na pista’, provocou Stella.
Wolff, por outro lado, argumenta que a estratégia da Mercedes só poderá ser julgada no final da temporada, já que outras equipes podem esgotar seus recursos mais cedo. ‘Vocês verão, no final da temporada, se eles vão conseguir colocar tanta coisa no carro quanto agora. Alguém pode ter uma estratégia diferente, gastando mais no início e no meio do ano do que no fim’, disse. A discussão ecoa um episódio anterior, quando Wolff questionou a agressividade da Ferrari em atualizar o SF-26, o que rendeu uma resposta irônica de Fred Vasseur, chefe da equipe italiana: ‘Quando a Red Bull desenvolve ou quando a Mercedes desenvolve, eles são gênios. Quando nós desenvolvemos…’ — a frase ficou no ar, mas deixou claro o incômodo de Maranello.