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F1

Mercedes: o time a bater... se os carros pararem de quebrar

Com Antonelli voando e a confiabilidade andando de ré, a Mercedes chega ao intervalo na frente, mas com o dedo no botão do pânico.

Por Bruno Bandeira

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte

Se alguém dissesse em 2025 que a Mercedes seria a grande força do novo regulamento, muitos dariam risada. Pois é exatamente isso que está acontecendo em 2026: a equipe de Brackley tem o carro a ser batido, com Kimi Antonelli e George Russell dominando as classificações e as corridas. O único problema? Os carros insistem em dar tilt no pior momento possível. É a velha história do time que é seu próprio inimigo, só que com mais panos queimando.

O primeiro semestre foi de extremos. Russell faturou na Austrália e na Áustria, mas Antonelli virou o cara a ser batido com vitórias na China, no Japão, em Miami, no Canadá, em Mônaco e na Bélgica. Foram seis triunfos do italiano, que se tornou o mais jovem líder de campeonato da história. E olha que ele ainda perdeu pontos por aí: um abandono em Barcelona e um fim de semana para esquecer na Inglaterra. Mas o moleque mostrou que o título de 2025 como o ‘rookie que erra muito’ ficou no passado. Em Mônaco, então, foi cirúrgico: depois de terminar a três voltas em 2025, ele segurou Verstappen na classificação, liderou de ponta a ponta, sobreviveu a dois safety cars e a uma bandeira vermelha, e ainda aguentou a pressão de Lewis Hamilton. Quase um roteiro de cinema.

Se Antonelli é o herói, o vilão da história é o de sempre: a confiabilidade. O azarão da vez foi Russell no Canadá. Depois de conquistar a pole para a sprint, vencê-la e repetir a pole na corrida, o britânico via seu caminho para a vitória quando a unidade de potência disse ‘tchau’ após 30 voltas. O estalo foi tão repentino que daria para ouvir o suspiro de frustração da equipe inteira. Russell, que já havia reclamado de sua falta de ritmo e até dito que era ‘impossível’ lutar com Antonelli, viu outra chance escapar. Mercedes soma agora mais um item na lista de preocupações que Toto Wolff classificou como ‘não bom o suficiente’.

Apesar das dores de cabeça, a Mercedes vai para as férias de verão com 79 pontos de vantagem sobre a Ferrari no Mundial de Construtores. Nos pilotos, Antonelli lidera com 59 pontos sobre Russell, mas atenção: Hamilton, agora na Ferrari, está a apenas nove pontos do seu ex-companheiro de equipe. Ou seja, a briga não é só entre os prateados, e a Ferrari tem mostrado upgrades eficazes. Para manter o controle, a Mercedes precisa urgentemente descobrir onde esconde o manual de confiabilidade, porque dominar o campeonato com o carro mais rápido e ainda assim ver pilotos abandonando por falhas mecânicas é, no mínimo, uma ironia digna de um roteiro de comédia.

A segunda metade da temporada promete. A Mercedes tem o melhor carro, os pilotos certos e uma vantagem confortável. Mas, como o próprio esporte já provou, liderança sem capacidade de terminar as corridas é igual a castelo de areia na maré alta: some rápido. Se os engenheiros de Brackley não resolverem os problemas de confiabilidade, a frase ‘é nosso para perder’ pode virar um epitáfio. E, acredite, ninguém quer ver Antonelli e Russell empurrando o carro até a linha de chegada.

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