Mercedes na corda bamba: liderança com gosto de 'quero mais' e um segundo tempo de tirar o fôlego
Com 72 pontos de vantagem no Mundial de Construtores, equipe de Brackley sabe que a temporada só esquenta de verdade agora.

A Mercedes vive um dilema de rico: liderar os dois mundiais com folga, mas com a sensação de que o carro pode derreter a qualquer momento. A equipe de Brackley chega ao segundo semestre da temporada 2026 com 72 pontos de frente no campeonato de construtores e Kimi Antonelli 50 pontos à frente no de pilotos, mas a palavra de ordem é ’não relaxar’. E não é para menos: após um início avassalador, a asa desgrudou um pouco, e os rivais começaram a colar.
O ano começou com George Russell vencendo na Austrália, seguido por uma sequência de cinco vitórias consecutivas de Antonelli, que parecia ter saído de um videogame no modo fácil. Mas aí a realidade bateu à porta (e a bateria também). Problemas elétricos e de confiabilidade custaram mais de 60 pontos à equipe, e o grid percebeu que a Mercedes não era uma fortaleza inexpugnável. Nas últimas cinco corridas, foram apenas duas vitórias: uma para cada lado, com Hamilton e Leclerc (Ferrari) dividindo as honras e Norris (McLaren) levando a Hungria. O cenário agora é de fila indiana, e a Mercedes sabe que cada ponto perdido pesa como uma âncora.
Simone Resta, diretor técnico adjunto, tenta manter a calma. ‘Viemos de anos difíceis, mas demos passos significativos; nada foi garantido. Há muito a comemorar, mas ainda há estrada pela frente. Precisamos maximizar cada fim de semana, melhorar a confiabilidade e extrair tudo do pacote’, disse no programa de rádio da equipe. Bradley Lord, vice-chefe de equipe, ecoou o discurso: ‘O primeiro semestre foi excelente, mas F1 é um esporte cruel. Estar na briga pelos títulos é um privilégio e um desafio que nos motiva.’
O recado é claro: a Mercedes quer repetir os oito títulos consecutivos de construtores entre 2014 e 2021, e ainda dar a Antonelli o recorde de campeão mais jovem da história. Mas, como Resta lembrou, a história mostra que o campeonato muda após as férias. ‘A pressão aumenta para quem lidera e para quem caça. O ambiente fica mais intenso, e é aí que se vê a força de uma organização.’ A partir de 21 de agosto, em Zandvoort, saberemos se a Mercedes é feita de aço ou apenas de papel brilhante. E o verão europeu promete ser mais quente do que o esperado.