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F1

Mercedes: a pole de Russell veio com um alerta escondido no data logging

Enquanto a McLaren e a Ferrari gastam dinheiro em upgrades, a Mercedes economiza para o fim do ano — mas os dados de Zandvoort mostram que a paciência pode ter limite.

Por Bruno Bandeira

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte

A pole position de George Russell na sprint do GP da Holanda foi um alívio para a Mercedes. Afinal, a equipe adotou a estratégia de segurar os upgrades, economizando munição para o fim da temporada, enquanto Ferrari e McLaren despejam peças novas a cada corrida. O problema é que, escondido nos dados, há um sinal de alerta que pode ter acordado o pessoal de Brackley mais cedo do que o planejado.

Russell levou a melhor sobre Lando Norris por apenas 0.041s, mas a análise setor a setor mostra uma montanha-russa: vantagem no primeiro e terceiro setores, e um segundo setor que desaparecia no retrovisor. A diferença de quase meio segundo no meio da volta não veio de uma estratégia de economia de energia nas retas — veio das curvas de alta velocidade 7 e 8, onde a Mercedes perdeu feio para a McLaren.

Enquanto Norris mantinha a velocidade mínima em 253 km/h na curva 7 e 219 km/h na curva 8, Russell despencava para 242 km/h e 205 km/h, respectivamente. Kimi Antonelli seguia o mesmo padrão, o que confirma que o problema é do carro, não do piloto. Nem a reta final, onde o Mercedes alcança 317 km/h contra os 307 km/h do McLaren, consegue disfarçar a fraqueza no trecho que decide a pole.

O mais preocupante para a Mercedes é a comparação com Silverstone, onde Norris era mais lento que Russell em curvas de velocidade similar, como Copse e Stowe. Agora, o jogo virou: a McLaren deu um passo claro em downforce de alta velocidade, e a Mercedes parece ter ficado para trás. A pergunta é: isso é um problema real de desempenho ou apenas um acerto de setup que não funcionou nas dunas de Zandvoort?

A resposta pode vir já na classificação de sábado, quando Russell terá outra chance de mostrar se a pole da sprint foi obra de um gênio, ou se os dados estão certos em apontar que o cofre da Mercedes precisa ser aberto antes do fim do ano. Porque, como diz o ditado: ‘quem economiza na curva de alta velocidade, gasta em reunião de engenheiros’.

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