Mercedes: a equipe mais rápida do grid e a mais eficiente em perder pontos
Domínio no asfalto, drama nos boxes: 61 pontos evaporando e a liderança que poderia ser um passeio no parque.

Nas primeiras corridas de 2026, a Mercedes parecia ter saído de um filme de ficção científica: 1-2 na Austrália com o segundo colocado a 15 segundos, repeteco na China e Kimi Antonelli estreando no topo do pódio. As rivais coçavam a cabeça, os engenheiros da equipe esfregavam as mãos e os torcedores já encomendavam as faixas de campeão. Mas, como todo bom roteiro de drama, o herói tropeça na própria capa: a confiabilidade resolveu entrar na pista e transformar a temporada dos sonhos em um exercício de cálculo de ‘quantos pontos vamos deixar escapar hoje?’.
Na etapa do Canadá, George Russell parecia ter encontrado o botão de ‘modo deus’. Pole no sprint, pole na corrida, e uma batalha eletrizante com Antonelli que fazia qualquer um morder as unhas. Mas no fim, o carro resolveu dar uma ‘pausa’ dramática na volta 30, com a bateria sofrendo uma falha catastrófica. Russell, furioso, arremessou o apoio de cabeça para fora do carro — depois se desculpou, claro. Só não teve desculpa para os 25 pontos que foram para o espaço, segundo as estimativas.
Na Espanha, Antonelli, que já colecionava cinco vitórias seguidas, teve que sentar no banco do reserva no primeiro treino livre — e isso pesou. Classificou em terceiro, reclamou que estava ‘forçando demais’ e, quando enfim passou Russell para ser segundo, o carro deu um ’tchau’ elétrico. Mais 18 pontos no lixo, e o garoto de 19 anos resumiu sua filosofia: ‘me senti um pouco vazio’. Já em Silverstone, ele até venceu o sprint e fez a pole, mas a proteção da roda dianteira esquerda decidiu se despedir, forçando duas paradas extras e uma punição de 5 segundos. Resultado: 15º lugar, com a Mercedes, teoricamente, de olho em dois pilotos no pódio. Toto Wolff, com a paciência de um monge, filosofou: ‘é um esporte mecânico, essas coisas acontecem’.
Somando os prejuízos em Canadá, Barcelona e Silverstone, são 61 pontos que evaporaram como gelo no deserto. Números que explicam por que, apesar do desempenho superior, a liderança não é um mar de rosas. Enquanto isso, a Mercedes segue sendo a equipe a bater — basta que o carro não resolva bater antes da hora. A temporada está longe de terminar, mas uma coisa é certa: os engenheiros de confiabilidade ganharam um aumento de carga horária e um lugar permanente no grupo de oração da equipe.