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F1

McLaren admite: carro de 2026 nasceu com o pé (e o câmbio) errado

Equipe de Woking reconhece que priorizar a redução de peso sacrificou a aerodinâmica, e que as relações de marcha foram dimensionadas para uma potência que não veio.

Por Bruno Bandeira

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte

Enquanto a McLaren celebra a volta à vitória no GP da Hungria, os bastidores da fábrica em Woking revelam um 2026 cheio de arrependimentos. A equipe admitiu que o chassi do carro do ano que vem está curto demais, limitando o desenvolvimento aerodinâmico, e que as relações de câmbio foram escolhidas no escuro.

O diretor técnico de engenharia, Neil Houldey, explicou que a decisão de encurtar o entre-eixos foi tomada para economizar peso, já que as novas regras tornariam o carro mais pesado. Só que isso custou área de assoalho, justamente onde está a mina de ouro da downforce. Agora, a solução é alongar o carro em 2027, mas até lá a McLaren vai ter que se virar com um projeto que, no papel, parecia boa ideia.

A demora em voltar ao topo do pódio – a Hungria foi a 11ª rodada – é sintoma de um desenvolvimento mais complicado. A McLaren passou a testar mais peças em pista antes de usá-las, como a asa traseira ‘macarena’ que ainda nem estreou, e a atualização de assoalho que finalmente funcionou levou meses para ficar pronta.

No câmbio, a história é parecida. A equipe escolheu relações mais curtas com base na curva de potência projetada pela Mercedes, mas o motor real não entregou o esperado. Como as relações são travadas antes da primeira corrida, a McLaren só pode mudar uma vez por temporada – o famoso ‘curinga’ – e até agora preferiu não usá-lo, porque as marchas curtas ajudam em circuitos mais lentos. Houldey admite: ‘Se pudéssemos voltar atrás, reequacionaríamos as relações.’ Mas em F1 não existe rewind.

Para piorar, a McLaren admite que subestimou o arrasto e que outros times são mais eficientes nos modos de asa. A nova asa traseira para Zandvoort e a ‘macarena’ para Monza são tentativas de recuperar terreno. Se depender das confissões, a equipe de Woking já sabe onde errou. Agora só falta o carro do ano que vem ser tão bom quanto as desculpas.

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