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F1

Hamilton renasce: heptacampeão volta a sonhar com título após temporada para esquecer na Ferrari

Vice-líder em 2026, inglês vive melhor fase desde 2021, mas precisou atravessar um deserto de barcos, freios problemáticos e um engenheiro que parecia jogar charadas

Por Bruno Bandeira

Lewis Hamilton voltou a sorrir na F1. Com a vice-liderança do Mundial de 2026 e uma vitória em Barcelona, o veterano de 41 anos volta a ver o título como possibilidade real — algo que não acontecia desde a novela épica contra Max Verstappen em 2021. Mas se engana quem pensa que essa fase boa veio sem solavancos: o caminho foi um verdadeiro off-road.

Desde que a F1 adotou os carros de efeito solo, em 2022, Hamilton viveu um casamento turbulento com a nova geração de bólidos. Ele mesmo comparou os carros a ‘barcos’, sofrendo com instabilidade, saltos e dores nas costas. Enquanto isso, via George Russell, 13 anos mais novo, assumir o protagonismo na Mercedes: 39 classificações melhores em 68 GPs juntos, embora o placar de corridas tenha ficado empatado. A gota d’água foi o contrato de apenas um ano oferecido por Toto Wolff, que já sonhava com Andrea Kimi Antonelli — e aí Lewis arrumou as malas para a Ferrari.

Mas a Ferrari não era exatamente o conto de fadas que ele imaginava. Em 2025, o heptacampeão passou o ano inteiro sem ver o degrau mais alto do pódio — nem sequer um top 3, enquanto Leclerc colecionava sete. O carro tinha freios instáveis que obrigavam o uso excessivo do ’lift and coast’, pneus que superaqueciam, degradação anormal e configurações que pareciam escolhidas no cara ou coroa. Para piorar, a comunicação com o engenheiro Riccardo Adami parecia ter saído de um filme mudo: Hamilton não foi avisado da chegada de Verstappen em Mônaco, não soube do volume de chuva na Austrália, ficou sem combustível para atacar na Bélgica e recebeu informações imprecisas sobre o próprio ritmo nos EUA.

Entre erros próprios — escapadas em Miami, Hungria, Bélgica, batidas em Mônaco, Holanda e São Paulo — e falhas coletivas, o pesadelo foi tão grande que o próprio piloto admitiu ter duvidado de si: ‘Depois de um ano como o ano passado, definitivamente existiram momentos em que eu estava tipo caramba, talvez seja verdade que quando você chega a um certo ponto, perde o jeito’. Mas 2026 chegou e, com ele, um Hamilton renovado, com direito a vitória em Barcelona e a sensação de que o tempo, ao contrário do que diziam, ainda está do lado dele. Se o título vem, não se sabe — mas pelo menos ele já não está mais andando de barco.

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