Grid Geral
F1

Hadjar e a maldição do segundo assento: os números revelam um milagre na Red Bull?

Levantamento da F1.com mostra que o francês é o que chega mais perto de Verstappen desde Ricciardo — e sem precisar de exorcismo.

Por Bruno Bandeira

Dizer que o segundo cockpit da Red Bull é um trono envenenado é quase redundância. Nos últimos anos, ele virou uma espécie de cadeira elétrica com spoiler: Gasly, Albon, Pérez e Tsunoda sentaram ali e, invariavelmente, levaram choques de comparação com Max Verstappen. Mas Isack Hadjar, o mais novo súdito a ocupar o posto, parece ter lido o manual de sobrevivência — e os números mostram que ele está fazendo algo que beira o sobrenatural.

Segundo dados da F1.com, o déficit médio de Hadjar para Verstappen no classificatório está em pouco mais de 0,1s. Isso não só supera a marca de todos os companheiros desde Daniel Ricciardo, como também é melhor que o próprio australiano em 2018, quando ficou a quase 0,2s. Para efeito de comparação, Tsunoda amargou um prejuízo médio de 0,6s na temporada passada, enquanto Albon e Pérez frequentemente se perdiam em mais de meio segundo. Até Gasly, que durou 12 corridas, e Albon em 2019 ficaram na casa dos 0,5s. Hadjar, aos 21 anos, está praticamente colado no holandês — uma proeza que só encontra paralelo no Ricciardo de 2017, que chegou a incomodar com míseros 0,05s de distância.

No quesito pontos, o panorama também é animador. Após 11 rodadas, Hadjar está 41 pontos atrás de Verstappen. Parece muito? Talvez, mas olhe o retrovisor: Tsunoda terminou a temporada passada com um rombo de 388 pontos, e Pérez em 2023 ficou 290 atrás — ainda assim, foi vice-campeão, o que diz mais sobre o carro do que sobre a luta interna. O único capaz de bater o companheiro em uma temporada completa foi Ricciardo, que em 2017 fez 200 pontos contra 168 de Verstappen. No ano seguinte, o australiano perdeu por 79 pontos, o menor déficit final já registrado. Hadjar, com uma segunda metade de campeonato pela frente, pode sonhar em superar essa marca? Os dados dizem que o sonho é menos absurdo do que parece.

É claro que ainda há chão pela frente, e a F1 tem o dom de transformar promessas em estatísticas de lamentação. Mas, por enquanto, Hadjar está fazendo algo que muitos consideravam impossível: transformar o segundo assento da Red Bull em um lugar onde o espelho retrovisor não mostra apenas a fumaça do carro do chefe. Se o ritmo continuar assim, talvez a maldição finalmente encontre seu anti-herói. E olha que nem precisou de estaca de prata. Só de um bom classificação e uma dose extra de ousadia.

Red BullHadjarVerstappenEstatísticas

Ver cards para Stories →

← Voltar à capa