Fim de era com direito a caos: Norris vence GP da Holanda, Verstappen bate cedo e Mercedes briga consigo mesma
McLaren vence a última edição do GP da Holanda em tarde de bandeiras vermelhas, safety cars e muito rádio tenro na Mercedes e na Ferrari.

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
A despedida de Zandvoort foi exatamente o que se esperava de um funeral com fogos de artifício: emocionante, caótico e com um anfitrião que não viu o próprio enterro. Lando Norris venceu a última edição do GP da Holanda, mas se engana quem pensa que foi uma tarde tranquila. Antes mesmo da primeira curva ser completada, Max Verstappen, em casa, resolveu encurtar a festa e bateu sozinho na curva final, deixando o público local com a sensação de quem comprou ingresso para show e o artista sumiu no primeiro número.
Com a bandeira vermelha e o conserto das barreiras, a corrida recomeçou com Kimi Antonelli pulando à frente de Norris. O campeão, porém, é daqueles que não gosta de ver o jantar esfriar: esperou, esperou e, na volta 54, colocou o carro por fora na curva 1 para tomar o que era seu. A vantagem construída foi tamanha que nem a confusão seguinte — Esteban Ocon parado na curva 3 e um VSC que permitiu aos Ferraris e a Antonelli calçarem pneus novos — tirou o sorriso da McLaren. O próprio Ocon, aliás, contribuiu para o roteiro de despedida: foi mais um a abandonar, como se o circuito quisesse ver todo mundo em casa mais cedo.
Se Norris não teve dor de cabeça, a Mercedes tratou de se auto-sabotar com requintes de crueldade. George Russell, que tinha escapado do VSC e andava em segundo, foi obrigado a ceder a posição ao companheiro de equipe na volta 65. O britânico chiarou no rádio, falou em ‘double podium perdido’ e só não virou meme porque a conversa foi privada. Já na Ferrari, Lewis Hamilton fez sua própria versão de ‘I want my money back’: estendeu stints, pediu troca de posição com Charles Leclerc e, quando finalmente o chamaram nos boxes, cravou: ‘Ótima maneira de perder tempo, bom trabalho’. Hamilton ainda salvou o P4, mais pelo talento do que pela estratégia.
Enquanto as equipes de ponta brigavam entre si, Nico Hulkenberg fazia um daqueles jogos de videogame no nível difícil. Desviou de Gabriel Bortoleto no fim da primeira volta com reflexos de quem já viu de tudo, e depois se envolveu numa batalha de trocas de posição contra Racing Bulls, Alpine e Williams que valia por si só o preço do ingresso. No fim, o veterano ainda levou a melhor e pontuou, enquanto outros tantos se perderam em punições e colisões — como Carlos Sainz e Alex Albon, que protagonizaram um acidente caseiro na Williams, ou Liam Lawson, que mesmo com uma punição de 10 segundos ainda foi o único Red Bull a ver a bandeirada.
A lista de desfalques ficou gigante: Verstappen, Bearman (que morreu na volta de aquecimento), Bottas, Stroll e o já citado Ocon. Mas nada disso ofuscou a vitória de Norris, que agora soma dois triunfos seguidos e aproveitou a despedida holandesa para dar um passo importante no campeonato. O GP saiu do calendário, mas o caos — esse, pelo visto, fica de herança.