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F1

FIA dá 'mãozinha' a Mercedes, Ferrari, Audi e Honda; Ford continua imbatível — e Red Bull em 4º

Sistema ADUO beneficia quem está com motor atrasado, mas o melhor propulsor, ao que tudo indica, pertence à Ford — que não precisa de ajuda. Coisas da F1.

Por Bruno Bandeira

Foto: 1 de 5 Largada do GP da Holanda de F1 2026 — Foto: Benoit Tessier/Reuters / Foto original da matéria-fonte

Num movimento que mistura engenharia e solidariedade, a FIA anunciou nessa quarta-feira os resultados dos dois primeiros períodos de análise do ADUO, o sistema de ‘ação afirmativa’ criado para equilibrar as forças na nova era de motores da F1. Basicamente, quem está mancando recebe muletas: mais horas de banco de prova, mais folga no teto de gastos e até homologações extras para desenvolver o motor. É o abraço acolhedor que todo fabricante que acorda 2% atrás do vizinho gostaria de ter.

No primeiro período de análise, o pódio da desvantagem ficou assim: a Mercedes foi enquadrada na faixa de 2% a 4% e terá direito a uma homologação adicional em 2026 e outra em 2027. Já Ferrari, Audi e Honda foram diagnosticadas com atraso superior a 4%, garantindo duas homologações em cada temporada. Os clientes também agradecem: McLaren, Williams e Alpine (de Mercedes), Cadillac e Haas (de Ferrari) e Aston Martin (de Honda) já estão de olho nos benefícios.

O segundo período de análise, encerrado após o GP da Hungria, não deu nova ajuda a ninguém. Ou seja, o diagnóstico ficou mais enxuto, e a FIA já iniciou o terceiro período, que vai do GP da Holanda ao México. Se depender da quantidade de siglas, o ADUO é o novo queridinho da administração.

Para quem não é íntimo das planilhas, os benefícios incluem, além das homologações, um aumento nas horas de dinamômetro: 70 horas para o grupo dos 2-4% e 110 horas para o grupo dos >4%. No quesito orçamento, a Mercedes ganha um respiro de US$ 3 milhões, enquanto as outras três fabricantes podem sorrir com US$ 4,65 milhões a mais no cofre. E tem mais: os upgrades são cumulativos, então se a Ferrari continuar devagar, ela pode acumular um kit de emergência que nem a FIA sabe explicar.

Aos mais desconfiados, a FIA reforça que tudo é baseado em dados ‘incrivelmente robustos’, nas palavras de Nikolas Tombazis, diretor de monopostos, e que os detalhes do índice de desempenho são confidenciais para preservar a propriedade intelectual. O que ninguém fala, mas os rumores insistem, é que a melhor unidade de potência até aqui seria a da Ford, parceira da Red Bull. Ironia: a Red Bull é apenas a quarta colocada no Mundial de Construtores, e a Racing Bulls, quinta. Em junho, a equipe austríaca negou que tenha qualquer vantagem, mas os números de lá dizem que, se o motor é bom, o carro aparentemente não lembrou de combinar. Como dizem os engenheiros: potência não é tudo.

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