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F1

FIA corta asas e promete carros que nem a vovó dirige: o pacote aerodinâmico de 2027

Com bans para 2027, FIA tenta impedir que times transformem os carros em asas de avião e mantenham a briga na pista – e não no túnel de vento.

Por Bruno Bandeira

A FIA decidiu que, para 2027, basta de invenções. As asas de escapamento, as extensões no aerofólio traseiro e as famigeradas asinhas na carenagem do atuador – que surgiram a partir de Mônaco – estão com os dias contados. A entidade quer cortar downforce e, principalmente, impedir que os times transformem o regulamento em uma guerra de gastos aerodinâmicos digna de uma Copa do Mundo de engenharia.

Nikolas Tombazis, diretor de monolugares da FIA, garante que aprendeu a lição. Em 2022, os carros nasceram com uma perda de downforce de 15% a 10 metros de distância, mas a exploração de brechas fez isso saltar para 35% – e a umidade na esteira virou um pesadelo para quem tentava ultrapassar. Agora, segundo ele, a base está mais robusta. ‘Estamos num nível parecido com o começo de 2022, mas com mais solidez’, disse. Ou seja: desta vez, os espertinhos não vão encontrar um flanco aberto tão fácil.

É claro que nem tudo foi previsto. Tombazis admitiu que soluções de escapamento surpreenderam a todos, e que a caixa de legalidade na região do atuador foi explorada além do esperado. Mas as correções já estão no pacote para o ano que vem, sem sufocar a criatividade. ‘Não fomos para a opção totalmente restritiva’, explicou. Assim, os times ainda terão espaço para inventar – mas com limites que lembram aqueles de um bom pai de família: pode brincar, mas não pode quebrar a casa.

Os pilotos, que reclamaram até das sombras (mentira, mas quase) na era dos carros rígidos, aprovaram o comportamento das novas máquinas. Mais altas, leves e dóceis, elas exigem talento sem exigir um fisioterapeuta a cada curva. E Tombazis reforça que a F1 não é lugar para qualquer um: ‘Quando temos os 22 melhores pilotos do mundo, os carros não podem ser fáceis de dirigir para a minha avó.’ A vovó, pelo visto, vai ter de esperar um pouco mais para dar uma voltinha no grid.

Olhando para o futuro, o diretor quer dar um passo ainda maior: tirar cerca de 80 kg dos carros e deixá-los mais curtos. É um alvo ambicioso, mas quem resiste a um carro de F1 mais leve e ágil, feito para voar baixo – sem precisar de asas extras? A promessa está aí, e a FIA espera que, desta vez, ninguém encontre um jeito de estragar o enredo.

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