F1 subvalorizada? Dono dos Jets compra fatia da Aston Martin e acende debate bilionário
Enquanto times de futebol americano valem 12 vezes a receita, a F1 se contenta com seis ou sete. Alguém avisa que o mercado está de olho?

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
Em um evento de negócios em Mônaco, Jefferson Slack, diretor-geral da Aston Martin, soltou uma frase que, 76 dias depois, se tornaria um argumento de venda perfeito: ‘Acho que as equipes estão subvalorizadas em comparação às franquias americanas’. Pois bem. O dono do New York Jets, Robert ‘Woody’ Johnson, comprou uma fatia da Aston Martin — e o mundo dos negócios na F1 ganhou mais um capítulo digno de novela das nove.
Slack, que parece ter nascido para o marketing, usou números que qualquer fã de esporte americano reconheceria: enquanto um time da NBA vale 12 vezes sua receita anual, uma equipe de F1 se contenta com seis ou sete vezes. ‘São apenas 11 times, e provavelmente sempre serão 11. Temos alcance global, contratos de longo prazo e o esporte continua crescendo’, filosofou. Zak Brown, da McLaren, concordou: ‘Os valores só sobem. Sempre dizem que um acordo é absurdo, e cinco anos depois veem que era só o começo.’
Flavio Briatore, que vendeu a Benetton por US$ 80 milhões em tempos pré-históricos, assiste a tudo com a cara de quem perdeu uma fortuna: ‘Agora falam em US$ 3,5 bilhões, US$ 4 bilhões, e preveem US$ 10 bilhões em três ou quatro anos.’ Ironia do destino: o próprio Briatore ajudou a transformar a F1 no circo bilionário que agora o assusta. Quem não chorou no final?
O mercado de franquias americanas segue dando argumentos para os otimistas. A venda do Los Angeles Lakers, por US$ 12,5 bilhões — a maior da história, dez meses depois de ser comprada por US$ 10 bilhões —, é um daqueles números que fazem qualquer executivo de F1 salivar. E a entrada pesada do private equity, como a Apollo Capital investindo no Wrexham, no Atlético de Madrid e até no New York Yankees, mostra que o dinheiro grande está migrando para o esporte global. Na F1, a Dorilton Capital, dona da Williams, tenta fugir da má fama que o private equity tem no futebol inglês.
Matthew Savage, da Dorilton, lembra que em 2020 as equipes de F1 valiam cerca de uma vez a receita, enquanto NFL e NBA negociavam a sete, oito, nove ou dez vezes. ‘Olhei para aquilo e pensei: só há 10 times na F1. Isso vai subir.’ E subiu. Hoje, Mercedes apareceu em uma avaliação de US$ 6 bilhões, McLaren em US$ 4,1 bilhões. Ferrari e Red Bull? Impossível cravar, dada a estrutura familiar. O jeito é esperar a próxima venda e preparar a pipoca. Porque, como diz o ditado, quem não é visto, não é lembrado — e na F1, quem não é avaliado, não é bilionário.