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F1 perde receita, mas respire: o calendário é que deu nó

Q2 de 2026 assusta com queda de 38% na receita, mas a explicação é mais 'calendarização' do que drama existencial.

Por Bruno Bandeira

Se você viu os números da Liberty Media e pensou que a F1 estava passando por um aperto financeiro, respire: o problema é o calendário, não a paixão do público. No segundo trimestre de 2026, a receita caiu 38% em relação ao mesmo período de 2025, para US$ 764 milhões. E o lucro operacional despencou 61%, para US$ 73 milhões. Parece um desastre, mas é só uma ilusão de ótica contábil.

A culpa é do calendário, que resolveu dar uma de mala sem alça: só cinco corridas aconteceram entre abril e junho, contra nove no ano passado. Bahrein e Arábia Saudita foram cancelados por causa das tensões no Oriente Médio, o Japão mudou para março, e Imola simplesmente saiu do mapa. Resultado: 44% menos corridas no trimestre. Na primeira metade do ano, foram oito provas contra 11, uma queda de 27% — e a receita total caiu 15%. Se fizermos as contas por corrida, o caixa não está tão mal assim.

A boa notícia é que o segundo semestre deve colocar as contas nos trilhos. O Bahrein vai acontecer — só que na Malásia, em outubro. Sim, leu certo. E, se Qatar e Abu Dhabi sobreviverem, a terceira e a quarta partes do ano terão mais corridas que em 2025, garantindo um total de 22 ou 23. Se o pior acontecer, o chefe da F1, Stefano Domenicali, já avisou que a temporada pode terminar na Europa, com Imola de candidata para a grande final. É o plano B de quem não quer depender de geopolítica para pagar as contas.

Enquanto isso, os times sentiram no bolso: a Liberty repassou US$ 316 milhões no trimestre, bem menos que os US$ 513 milhões do ano passado. Para compensar, Domenicali promete mais corridas sprint no ano que vem — mas só onde os promotores toparem pagar por elas. Ele até admite que a escassez é parte do charme: ‘se comercialmente fôssemos a todos, não teria mais valor’. Ou seja, sprint é que nem pimenta: uma pitada realça, exagero estraga.

Olhando para o futuro, a F1 quer surfar na onda de experiências premium. O Paddock Club está esgotado, e a novidade é o ‘Outlap’, um jantar de luxo em um contêiner personalizado que dá voltas na pista — por mais de 10 mil euros por cabeça. E, sobre inteligência artificial, nada de parceiro único: ‘é grande demais para entregar a um só’, disse Domenicali. Prefere dividir para multiplicar as oportunidades. Com esse pensamento, a F1 pode até perder algumas corridas, mas nunca o jeito de reinventar o próprio negócio.

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