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F1 explica por que não pode banir algoritmos que pilotos odeiam

Após reclamações de Piastri e cia., FIA diz que controle total da energia é inviável — e promete melhorias para 2028.

Por Bruno Bandeira

A reclamação é unânime: pilotos de F1 estão cansados de serem reféns de algoritmos que decidem quando e como a energia elétrica é usada. Oscar Piastri, com a delicadeza de sempre, classificou a situação como ‘um jeito bem ruim de correr’. O GP da Bélgica foi o estopim, escancarando como a inteligência artificial pode estragar um fim de semana — e não, não estamos falando das decisões de Lewis Hamilton na largada.

Diante do coro de insatisfação, Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, resolveu explicar o óbvio: dar controle total aos pilotos seria como entregar as chaves de um carro de F1 para um motorista de aplicativo no trânsito de São Paulo. ‘Não é realista’, disse. Se cada piloto pudesse usar energia como bem entendesse, gastaria tudo na saída de curva, tornando o problema ainda pior. Além disso, as regras limitam o estado de carga da bateria justamente para evitar que as equipes construam baterias do tamanho de um SUV.

Tombazis admite que o sistema atual é complicado e que os pilotos têm razão em reclamar. ‘É mais complicado do que gostaríamos’, confessou. A culpa, segundo ele, é do equilíbrio entre o motor a combustão e a bateria — hoje em 53/47 na prática, não nos 50/50 que a regra sugere. Esse desequilíbrio faz com que os algoritmos tenham um peso enorme nas corridas, algo que nem o mais paciente dos engenheiros conseguiria gerenciar ao volante.

A solução prometida é a readequação da proporção para 60/40 até 2028. Com isso, os pilotos teriam mais voz no uso da energia, e os algoritmos perderiam parte da influência — além de ficarem mais precisos, já que as equipes terão mais tempo para entender as regras. Tombazis prefere não prometer um milagre: ‘Será um passo melhor. Eliminado completamente? Não’. Ou seja, os pilotos vão continuar reclamando, só que um pouco menos.

Piastri, ao menos, já se conformou. ‘Não espero que isso desapareça totalmente’, disse, com a resignação de quem aprendeu a conviver com o problema. Mas quem sabe, um dia, a F1 encontre um jeito de fazer com que os pilotos voltem a ser protagonistas — ou pelo menos achem que são. Enquanto isso, seguimos torcendo para que os algoritmos pelo menos evitem engarrafamentos.

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