F1 deveria adotar semáforos? Gary Anderson tem um plano (e não é de trânsito)
Sistema de luzes coloridas nos carros poderia acabar com a dúvida entre bandeira amarela simples e dupla — e ainda avisar quando o piloto à frente está só de carona.

Quem assiste à transmissão da F1 já se viu perdido tentando decifrar se aquela bandeira amarela era simples, dupla ou only no replay. Agora imagine o piloto a 250 km/h. Gary Anderson, ex-projetista e agora comentarista, tem uma sugestão que parece tirada de um cruzamento urbano: usar o bom e velho sistema de semáforos. O caos recente envolvendo George Russell (sem punição na Áustria) e Kimi Antonelli (grid drop na Hungria) mostra que a linha entre ’levantou um pouco’ e ’levantou o suficiente’ é mais fina do que pneu de chuva extremo.
A proposta de Anderson é instalar luzes no bico, asa traseira e painel que indiquem o estado do carro. Verde para potência total, amarelo para modo de recuperação de energia, vermelho quando o bólido virar gerador — e vermelho piscante quando nem isso funciona. Ou seja, você vai saber exatamente se o cara à frente está contando com o motor elétrico, com o v6 ou com a fé. Ele ainda sugere uma luz azul para avisar que um piloto mais rápido está a um segundo e pretende ultrapassar. Depois de 10 segundos com o azul piscando, o azul constante vira ordem: dá passagem ou explica pro comissário.
Para a segurança em pista, a ideia é usar as mesmas luzes para avisar sobre incidentes. Carro fora da pista? Amarelo piscante. Parado com impacto leve? Amarelo fixo. Batida acima de 25g e precisa do carro médico? Vermelho piscante. E se o carro estiver ‘vivo’, ou seja, com risco elétrico para os socorristas? Vermelho fixo — e ninguém encosta até os profissionais desligarem tudo. Anderson ainda defende o princípio do ‘fail-safe’: se o sistema quebrar, quebre mostrando vermelho. É melhor assustar do que dar uma falsa sensação de segurança. ‘Você não quer que ninguém adivinhe o estado do carro’, resume.
A beleza da proposta está na simplicidade: as cores já estão gravadas no cérebro de qualquer pessoa desde a infância. Não é preciso um PhD em aerodinâmica para saber que vermelho significa ‘para’, amarelo significa ‘atenção’ e verde significa ‘pode ir’. E, convenhamos, seria um alívio ver algo mais intuitivo do que LEDs piscando em padrões que parecem código Morse. Anderson lembra que esses carros têm sistemas de alta voltagem, baterias e eletrônicos — e que os próprios marechais às vezes precisam ser salvos de si mesmos. Com luzes padronizadas em todos os carros, a F1 daria um passo gigante para tirar a adivinhação das decisões de segurança.
No fim, a sugestão de Gary Anderson é um lembrete de que a F1 muitas vezes tenta reinventar a roda quando a solução já está pendurada em um poste na esquina. Se a categoria adotar o sistema, talvez a gente finalmente descubra o que aconteceu naquele acidente sem depender de 37 ângulos de câmera e um especialista em telemetria. E, quem sabe, os pilotos também deixem de tomar punição por ’ter levantado o pé na hora errada’ — ou de escapar dela por ter levantado o pé na hora certa. Que a luz verde para a mudança acenda logo.