F1 além da pista: como pilotos viraram Checo, Albono e até Britney
De sangue a Sade, de ratel a leão: a origem (nem sempre gloriosa) dos apelidos mais famosos da Fórmula 1.

Na Fórmula 1, apelido não é luxo, é necessidade. Eles definem personalidades, viram verbetes de enciclopédia e, no caso de Nico Rosberg, arrancam risadas até dos engenheiros. A origem das alcunhas é das mais variadas: desde etiquetas de sangue a músicas da Sade, passando por bichos que parecem fofinhos, mas não são.
O mexicano Sergio Perez é o caso mais simples: ‘Checo’ é o diminutivo de Sérgio no México, como chamar um James de Jim. Mas foi na Red Bull que ele ganhou o título honorário de ‘Ministro da Defesa Mexicano’, depois de segurar Lewis Hamilton em Abu Dhabi 2021 e abrir caminho para Max Verstappen conquistar o primeiro título mundial. Alexander Albon, por sua vez, deve o apelido ao tipo sanguíneo: nos macacões, a inscrição ‘A. Albon O+’ era lida como ‘Albono’. O nome pegou de verdade em 2020, quando o tailandês-britânico entrou na onda dos streams de esports com Leclerc, Norris e Russell.
Carlos Sainz não precisou de publicitário para se promover: ele se autobatizou em 2019, na McLaren, ao cantar ‘Smooth Operator’ no rádio após um bom resultado na Hungria. Repetiu a dose no Brasil, e a equipe teve que explicar que a música da Sade não era exatamente sobre pilotagem suave. Já Nico Rosberg não teve a mesma sorte: ao chegar na Williams em 2006, com cabelos loiros e cara de menino, Mark Webber o comparou a Britney Spears. Quando Rosberg rodou e bateu na volta do Brasil, o rádio da Williams eternizou: ‘Britney’s in the wall’. Rosberg até se livrou do apelido depois, mas o dano já estava feito.
O australiano Daniel Ricciardo é o ‘Honey Badger’ — o ratel, um bicho que parece dócil, mas briga até com leão. O próprio Ricciardo explicou: “Honey badgers são fofos e bonitos, mas quando alguém mexe com o que é deles, eles revidam”. Nigel Mansell virou ‘Il Leone’ nas arquibancadas da Ferrari, por sua raça e determinação — principalmente depois daquela arrancada de 12º para a vitória na Hungria. E Niki Lauda, que começou como ‘The Mouse’ por causa dos dentes, ganhou versões mais imponentes, como ‘King Rat’ e ‘Super Rat’.
Sebastian Vettel é o ‘Inspector Seb’, sempre de olho nos carros rivais no parque fechado, como se fosse um perito da polícia técnica. Alain Prost, o ‘Professor’, usou o cérebro para superar até Ayrton Senna e faturar quatro títulos. E os finlandeses Reinam: Kimi Raikkonen, batizado de ‘The Iceman’ por Ron Dennis, continua gelado até para cumprimentar a imprensa. Mika Hakkinen, o ‘Flying Finn’, voava com o carro sempre no limite — foram 20 vitórias e dois títulos para comprovar. No fim, não importa se o apelido é carinhoso, irônico ou simplesmente estranho: eles fazem parte do folclore da categoria, e a F1 seria bem mais sem graça sem eles.