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F1 2026: mais ultrapassagens, menos zebras e um drama chamado bateria

Nova era entrega disputas acirradas, grid dividido e o superclipping como vilão; veja o que mudou na pista.

Por Bruno Bandeira

Foto: 1 de 5 Largada da corrida sprint do GP Canadá de Fórmula 1 F1 — Foto: Mathieu Belanger/Reuters / Foto original da matéria-fonte

Quando a F1 prometeu uma nova era para 2026, não era exagero. Os números da temporada até aqui mostram uma categoria mais movimentada — para o bem e para o mal. As ultrapassagens dispararam, o grid perdeu aquele equilíbrio que permitia zebras e o gerenciamento de bateria virou o novo drama dos pilotos. Se você ainda não ouviu falar em ‘superclipping’, prepare-se: isso vai render conversa no paddock.

O primeiro impacto é visual: no ano passado, 19 dos 21 pilotos terminaram ao menos uma vez entre os seis primeiros; agora, apenas 12 de 22 conseguiram o feito. A razão é a clara divisão entre o quarteto de cima — Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull — e o restante. Não à toa, a menor diferença entre os dez primeiros no grid deste ano foi de 0s894, na Áustria, e a média da temporada é de 1s473. Em 2025, os recordes de aproximação caíram duas vezes, com o décimo colocado a menos de 0s6 do pole. Em 2026, zebra virou artigo raro: o pódio de Pierre Gasly em Mônaco, com direito a sete abandonos e punições polêmicas, foi a exceção que confirmou a regra.

Por outro lado, as disputas aumentaram de forma absurda. Na Austrália, as ultrapassagens saltaram de 45 para 120; em Miami, de 80 para 150; no Japão, de 28 para 106. Até Mônaco, historicamente um cortejo, viu o número subir de 4 para 37. Os motivos são dois: carros mais leves e ágeis, que permitem seguir o adversário de perto, e o novo desafio de gerenciar a parte elétrica do motor, agora com metade da potência total. O resultado é uma ‘corrida iôiô’, com carros que se aproximam e se distanciam a cada reta.

O verdadeiro protagonista dessa bagunça é o tal do superclipping. Sem o MGU-H, recarregar a bateria ficou tão difícil que as equipes criaram modos em que o motor elétrico abre mão da potência para recuperar energia, mesmo com o pé embaixo. Como cada um usa a ferramenta em momentos diferentes, dois carros chegam à mesma reta em velocidades opostas — o que explica tanto as ultrapassagens quanto os sustos. A batida de Oliver Bearman no Japão, atribuída por pilotos à diferença de velocidade para Franco Colapinto, acendeu o alerta. E a FIA, claro, já corre atrás para tentar acalmar os ânimos. Resta saber se o espetáculo vai continuar sem virar loteria.

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