De 'super-sub' a protagonista: Tsunoda tenta seguir os passos de quem renasceu na F1
Com P11 em Zandvoort, Yuki Tsunoda mostrou que ainda sabe pilotar. A história diz que uma boa atuação como reserva pode valer ouro — ou pelo menos um assento no grid.

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte
Depois de perder o assento na Red Bull após uma temporada 2025 complicada, Yuki Tsunoda passou a ser apenas espectador de luxo. Mas o japonês de 26 anos aproveitou a chance de substituir Liam Lawson na Racing Bulls no GP dos Países Baixos e, com um P11 suado, deixou o recado: ‘Eu fiz tudo o que podia e me diverti muito’. Faltou pouco para os pontos, mas o importante é que seu nome voltou a ser falado no paddock.
A história da F1 está repleta de exemplos de pilotos que usaram uma participação relâmpago como trampolim. Nico Hulkenberg, por exemplo, foi dispensado pela Renault no fim de 2019 e, no ano seguinte, virou o ‘super-sub’ da Racing Point: foram três corridas, com direito a largada em P3 no GP dos 70 Anos e uma recuperação de dar inveja em Nurburgring. Resultado? Virou reserva oficial da equipe e, depois de mais duas substituições em 2022, voltou em tempo integral com a Haas em 2023. Hoje, na atual Sauber/Audi, o alemão de 39 anos até conseguiu um pódio no GP da Grã-Bretanha. Quem diria que um ‘quebra-galho’ renderia tanto?
Se a situação de Tsunoda é delicada, a de Carlos Sainz era um drama digno de novela. O espanhol já sabia que seria substituído por Lewis Hamilton na Ferrari, ainda passou por uma cirurgia de apendicite e viu Ollie Bearman roubar a cena na Arábia Saudita. Mas, no retorno à Austrália, Sainz cravou P2 no grid e venceu a corrida — seu terceiro triunfo na carreira. Isso é que é resposta. Já Alain Prost, depois de ser demitido pela Ferrari em 1991, tirou um ano sabático e voltou com a Williams em 1993: pole e vitória na estreia, mais seis triunfos e o quarto título mundial. Professor, de fato.
E o que dizer de Mika Salo? O finlandês estava sem vaga em 1999, mas entrou na Ferrari para substituir Michael Schumacher após a perna quebrada do alemão. Na segunda corrida, em Hockenheim, assumiu a liderança e só devolveu a posição para ajudar Eddie Irvine na briga pelo título. Terminou em P2 — o melhor resultado da carreira — e ainda subiu ao pódio em Monza, ajudando a Ferrari a levar o Mundial de Construtores. Quem precisa de super-herói quando se tem um finlandês de plantão?
Claro, nem todo mundo vira titular depois de um brilho isolado — o próprio Tsunoda ainda não garantiu nada. Mas, como dizem por aí, o que não falta é história de quem usou uma chance improvisada para transformar o destino. Se o japonês conseguir metade do sucesso de Hulk, Sainz, Prost e companhia, a F1 pode ganhar um capítulo e tanto. Agora é esperar para ver se alguém anotou o recado.