De playboy fashionista a lenda sóbria: a evolução de visual de Jenson Button
Vinte anos após a primeira vitória na Hungria, revisitamos como o estilo de Button mudou tanto quanto a sua carreira.

Jenson Button sempre teve um estilo tão mutante quanto sua carreira. Do garoto que chegou à F1 aos 20 anos com ares de boyband e um Porsche a tiracolo, ao veterano elegante que hoje domina a arte de vestir-se bem, o britânico provou que beleza (e bom gosto) também se constrói com tempo – e alguns tropeços.
Nos primórdios, entre Williams, Benetton e Renault, Button vivia o lado mais extravagante da fama: flat em Mônaco, Ferrari na garagem e um iate de 22 metros que falavam mais alto que os resultados. Seu chefe na Benetton, Flavio Briatore, não poupou críticas públicas, chamando-o de ‘playboy preguiçoso’. E não faltam histórias curiosas – como a de Button entrando em uma boate de Milão com um Puffer da Prada de capuz, aos 20 anos, achando que ninguém notaria.
Na Honda, em 2003, o novo companheiro Jacques Villeneuve já o recebeu com um clássico: ‘você parece mais um membro de boyband do que um piloto’. O visual descontraído, com cabelos descoloridos e ar de surfista, combinava com o estilo de pilotagem – sólido, mas sem vitórias. Até que, em 2006, em Budapeste, Button finalmente venceu sob chuva, largando em 14º, e enterrou o rótulo de ‘eterno azarão’. Três anos depois, com a Brawn GP criada a partir da Honda, ele conquistou o título mundial, vencendo seis das sete primeiras corridas.
A Brawn GP também marcou uma revolução no visual de Button: o capacete, antes azul e vermelho com a bandeira britânica, foi repintado no amarelo fluo do carro, e os polos amarelos com listras brancas da Henri Lloyd viraram item de colecionador. Na McLaren, a partir de 2010, a elegância passou a ser levada mais a sério – a Hugo Boss vestia o time desde 1981, e Button começou a dividir espaço entre o macacão e as roupas de treino, já que abraçou o triatlo para se manter em forma. A saída do pai, John, em 2014, rendeu uma homenagem em Silverstone com capacete rosa – uma tradição que ele levou até a despedida em 2016, quando voltou com o design do título de 2009 e uma mensagem que ficou famosa: ‘cheguei com sonhos e saio com memórias’.
Aposentado, Button encontrou na moda uma segunda carreira: tornou-se rosto da Hackett London e investidor da marca LESTRANGE, e aprendeu a lição que muitos milionários ignoram – que menos é mais. O guarda-roupa enxuto, com peças clássicas e cores neutras, é o reflexo de um homem que, enfim, sabe o que quer. Como ele mesmo diz, do pub à pista, o estilo é simples: ‘mais não é sempre melhor’.