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De placas de 'vende-se' a expulsão de van: o Dia dos Pais na F1

Lewis Hamilton e Max Verstappen celebram a data em dias diferentes, mas têm em comum o papel decisivo — e por vezes excêntrico — dos pais na construção de suas carreiras.

Por Bruno Bandeira

Se você acha que o Dia dos Pais já é complicado de sincronizar no grupo da família, imagine na Fórmula 1. Enquanto Gabriel Bortoleto comemora no segundo domingo de agosto — sempre em ponto, como manda o protocolo brasileiro —, a maioria do grid, incluindo ingleses, franceses e holandeses, celebra no terceiro domingo de junho. Já espanhóis e italianos antecipam a comemoração para 19 de março, Dia de São José. Ou seja: na F1, o pai pode receber o presente em três datas diferentes, mas o verdadeiro presente, para muitos, foi ter um pai que bancou (e aguentou) a carreira do filho no kart.

Levando o conceito de ‘pai coruja’ a outro nível, Anthony Hamilton chegou a ter três empregos no Reino Unido para financiar os primeiros passos de Lewis no kart. O pequeno Lewis, hoje heptacampeão com 106 vitórias, não apenas pilotava: ajudava o pai a colocar placas de ‘vende-se’ pelas ruas. Quem diria que aquele garoto de macacão sujo de graxa viria a ser recebido por Ron Dennis, então chefe da McLaren, com um ‘me ligue daqui alguns anos’ após Lewis anunciar que um dia seria piloto da equipe. Pois é: o ’telefone’ tocou, e Dennis financiou a carreira do britânico até a F1.

A primeira vitória de Lewis na categoria, no Canadá em 2007, teve gosto de missão cumprida para Anthony, que acompanhou tudo lá embaixo no pódio. ‘Ver toda a história por trás daquilo, o trabalho duro, o sacrifício real, o sangue, suor e lágrimas’, lembrou Lewis, com a exatidão de quem guarda cada aperto de mão dado antes das corridas de kart como um amuleto. Daí em diante, a trajetória do britânico virou história — e o pai virou torcedor profissional.

Se Anthony foi o pai que trabalhou em três empregos, Jos Verstappen foi o pai que trabalhou o filho. Ex-piloto de F1 entre 1994 e 2003, Jos despejou em Max um conhecimento técnico de dar inveja a qualquer engenheiro: ‘Ele seria um chefe de equipe excelente’, admite Max, impressionado com a capacidade do pai de entender ajustes e acerto de carros. Mas a didática de Jos tinha métodos, digamos, pouco convencionais. Reza a lenda do paddock que, furioso após um erro do jovem Max, o pai parou a van em um posto de combustível e expulsou o filho do veículo, deixando-o a pé. Funcionou? Max se tornou campeão mundial e, aparentemente, a relação com o pai sobreviveu ao episódio — e a muitos outros.

No fim das contas, cada um celebra o Dia dos Pais na sua data, com seu estilo. Há pais que fazem três empregos, pais que conhecem o acerto de um kart de olhos fechados e pais que usam postos de gasolina como pontos de ônibus. O importante é que, na F1, o verdadeiro pit stop acontece em casa — e, pelo visto, alguns pit stops são mais velozes que outros.

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