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Damon Hill: para superar Schumacher, tive que vencer uma batalha (psicológica) antes da pista

No podcast oficial da F1, o campeão de 1996 revela o sufoco mental para tirar o alemão da cabeça — e ainda levar um título no processo.

Por Bruno Bandeira

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte

Damon Hill finalmente admitiu o que muitos desconfiavam: para conquistar o título de 1996, ele precisou vencer uma guerra muito mais íntima do que qualquer duelo na pista. Em entrevista ao podcast oficial da F1, o inglês abriu o jogo sobre a ‘batalha psicológica’ que travou contra Michael Schumacher — e, de quebra, contra os próprios demônios.

A rivalidade já vinha pegando fogo desde 1994, quando a final na Austrália terminou com um toque polêmico e o título indo para o lado alemão. Em 1995, a coisa escalou: Silverstone, Monza, suspensões condicionais e um Schumacher que venceu nove corridas, deixando Hill com o clássico gosto de ‘quase’. O próprio Hill descreveu o período como ‘deprimente’ e ‘humilhante’, com direito a metáfora de quem tomou uma surra: ’tive meu traseiro açoitado por Schumacher e meu nariz esfregado na sujeira’. Quem nunca, não é mesmo?

O que salvou Hill foi o inverno de 1995. Em vez de chafurdar na fossa, ele decidiu fazer aquilo que todo mundo deveria fazer antes de uma virada: olhar para o próprio umbigo. ‘Se você tem uma fraqueza, precisa corrigi-la’, filosofou. E a fraqueza era justamente a tal da ‘coisa especial’ que Schumacher tinha e que Hill não sabia se possuía. A pergunta que não queria calar: ‘Como se consegue essa coisa? E alguém como eu também pode ter?’

Spoiler: deu certo. Em 1996, Hill venceu metade das corridas (oito, para os íntimos) enquanto Schumacher, agora na Ferrari, até ganhou três, mas passou o ano inteiro vendo o carro quebrar. A falta de confiabilidade da Scuderia foi tão épica que Hill chegou ao título com 97 pontos, 19 a mais que o companheiro de equipe Jacques Villeneuve e 38 à frente do alemão. Foi a vingança do ‘psicológico’ sobre o ’especial’.

Na visão do campeão, o segredo foi entender que a briga por um título é também ‘política e psicológica’. Hill admitiu que em 1995 caiu na armadilha de alimentar a rivalidade com a imprensa, enquanto Schumacher, mestre em cutucar, só observava. ‘Ninguém quer pensar que o seu cara é um perdedor’, lembrou. Para 1996, ele voltou com a cabeça no lugar — e com a equipe inteira do lado. Lição para a vida: às vezes, o adversário mais difícil está no espelho (e tem um capacete alemão rindo de você).

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