Camara se inspira em Bearman para sonhar com a F1
Brasileiro da Ferrari Academy usa a ascensão relâmpago de Ollie Bearman como combustível na briga pelo título da F2.

Rafael Camara tem 21 anos, é brasileiro e faz parte da Ferrari Driver Academy. No momento, ele ocupa a terceira posição na F2, com 145 pontos, duas vitórias e cinco pódios. Mas o que realmente o move é a história de Ollie Bearman, outro produto da mesma academia, que saltou para a F1 quase de paraquedas em 2024 e hoje tem vaga garantida na Haas. Se Bearman conseguiu, Camara pensa: por que não eu? E ele está disposto a descobrir.
A lembrança mais vívida de Camara envolvendo a F1 é de 2012, quando torcia por Fernando Alonso na Ferrari e viu o espanhol perder o título para Sebastian Vettel na última corrida, em Interlagos. Curiosamente, agora ele defende as cores da própria Ferrari — mas na categoria de acesso. É a vida imitando a arte, ou pelo menos o sonho de criança virando projeto de engenharia.
Bearman não é só inspiração, é prova viva de que a Ferrari não esquece seus pupilos. Camara admite que ver o britânico chegar à F1 pela academia dá um gás extra: ‘É empolgante. Ver o Ollie ter essa oportunidade me motiva a continuar trabalhando, a melhorar. Quem sabe um dia eu também receba essa chance?’ O otimismo é bom, mas o caminho não está fácil.
Na F2, a disputa está tão apertada que cada ponto vale mais que ouro em pó. O brasileiro, com 145 pontos, está atrás de Gabriel Mini, apoiado pela Alpine (147), e de Nikola Tsolov, apoiado pela Red Bull, que lidera com 167. Camara sabe que não dá para bobear: ‘Tem muitos pilotos bons repetindo o ano, e outros subindo. Cada ponto vai ser decisivo.’ Tradução: ou ele se supera agora, ou vai precisar de mais um ano de molho — e ninguém quer isso.
Camara também carrega uma mochila pesada: a dos brasileiros que chegaram à F1 e viraram lenda, como Senna, Piquet e Fittipaldi. Se conseguir o feito, ele será o próximo da lista depois de Gabriel Bortoleto, que estreia em 2025. Mas, por enquanto, o foco é o presente: vencer na F2, convencer a Ferrari de que é digno da promoção e, quem sabe, transformar a inspiração em imitação. Ou melhor, em superação.