Cadillac no primeiro semestre: zero pontos, muitos incêndios e uma lição em Mônaco
Bottas e Pérez seguram as pontas, mas a falta de ritmo e as quebras fazem da estreia da equipe um aprendizado de fogo — literalmente.

Começar como um novo time na F1 é como entrar numa roda-gigante girando a mil por hora: assustador, mas alguém precisa sentar no carrinho. A Cadillac escolheu o assento, e os primeiros meses de 2026 confirmaram que a aventura é mais íngreme do que uma subida de Eau Rouge. Sem nenhum ponto no campeonato, a equipe amarga a lanterna do Mundial de Construtores, colecionando desde freios que pegam fogo até uma falta de ritmo que faz a Lotus dos anos 80 parecer rápida. Ainda assim, a dupla veterana formada por Sergio Pérez e Valtteri Bottas vai dando aquele alívio de quem sabe aonde está se metendo.
No meio do caos, há momentos para celebrar. O melhor resultado da equipe é um 13º lugar de Bottas na China, onde o finlandês largou em último, escapou por pouco de uma colisão com o próprio companheiro na primeira curva e se beneficiou de uma aposentadoria em série de outros pilotos. Já Pérez quase estourou o champanhe em Mônaco: largou em 18º, escalou até a 10ª posição – o que renderia o primeiro ponto histórico da marca –, mas levou uma punição de 10 segundos por ter posicionado a roda dianteira fora do box no restart do Safety Car. Resultado: caiu para 15º e o brinde ficou para depois. Uma derrota dolorosa, mas que provou que o ritmo de corrida existe.
Nos confrontos internos, Pérez leva vantagem: 6 a 5 na classificação e 6 a 3 na corrida, com os dois abandonando na Áustria e na Hungria. A diferença seria maior se não fosse a maldita suspensão, que tirou o mexicano do caminho no Canadá e na Bélgica. Aliás, a confiabilidade é o pesadelo recorrente: Pérez soma quatro abandonos e Bottas cinco, com superaquecimento mandando os dois para casa precocemente em duas etapas seguidas. Enquanto isso, a vaga no Q1 é um sonho distante – toda classificação termina no mesmo lugar: P18, P20, P22… O consolo é que o time tem uma base sólida, com dois vencedores de GPs e o conhecimento de Lowdon e cia., sem contar a força da Ferrari no motor.
O pior momento, no entanto, foi a Áustria. A equipe chegou confiante com um pacote de atualizações ambicioso, prometendo ‘continuar a trajetória de encostar no pelotão do meio’. A promessa durou menos que uma volta – Bottas completou apenas duas voltas e Pérez durou um pouco mais, ambos batendo as botas por problemas de confiabilidade. O otimismo virou fumaça, e não só por causa dos escapamentos. Mas, como diria um velho ditado, o primeiro ano é para aprender. A Cadillac já sabe que precisa de ritmo, de peças que não derretam e de um manual de restart. O resto é consequência.