Cadillac: a estreia na F1 com freios que insistem em virar churrasqueira
Análise técnica mostra que o problema não é falta de vontade, mas de refrigeração. E Gary Anderson não está comprando o discurso de 'trabalho espetacular'.

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
A Cadillac chegou à F1 como a mais nova inquilina do grid, mas a lua de mel terminou rápido. Afinal, quando sua maior preocupação é impedir que o freio dianteiro pegue fogo no meio da corrida, o sonho de pontuar fica cada vez mais distante. Gary Anderson, que entende dessas coisas, olhou o desenvolvimento do carro até agora e resumiu: ‘não estou vendo nada que me empolgue’.
O calcanhar de Aquiles (ou melhor, o disco de freio) da equipe são os incêndios recorrentes. Foram nove abandonos, todos relacionados a problemas de resfriamento dos freios. O próprio ex-chefe da equipe, Graeme Lowdon, admitiu que é uma área ‘muito, muito, muito difícil’ e que aprender na frente de centenas de milhões de pessoas não é tarefa fácil. Gary, com seu fino sarcasmo, lembrou que Pat Symonds não nasceu ontem e que a equipe tem gente experiente — ou seja, o conhecimento estava ali.
A análise técnica das atualizações mostra mudanças sutis: uma asa dianteira com um recorte aqui, um vão ali, e na lateral do assoalho o que era um pacote de quatro viradores virou cinco. ‘Todos nós gostamos de um pacote de seis, talvez fique para a próxima’, brincou Anderson. Mas nada que resolva o problema fundamental dos freios, que exigem não apenas uma entrada maior, mas um duto bem projetado, com saída em área de baixa pressão e cerca de três vezes o tamanho da entrada. Sem isso, o sistema bloqueia e a temperatura sobe.
Outra mudança foi reduzir o volume do suporte do assoalho, permitindo um mecanismo de deflexão mais simples. E a borda superior dos bargeboards mudou, mas nada dramático. A conclusão de Gary: enquanto os freios continuarem pegando fogo, não importa quantos pacotes de viradores você coloque — a Cadillac precisa apagar o incêndio antes de pensar em avançar no grid. Literalmente.