Briatore: ‘vencer, não turistar’ — a receita da Alpine para voltar ao topo
Consultor da Alpine, italiano fala sobre valuation, sprints, Gucci e Gasly — e ainda arranja tempo para criticar sopa requentada.

Flavio Briatore, o consultor executivo e chefão de fato da Alpine, sentou para uma conversa com o The Race Business e, como manda o figurino, não deixou ninguém dormir. Em quase uma hora de papo — o dobro do tempo previsto, o que já diz muito sobre a empolgação do entrevistado —, o italiano falou de valorização de equipe, sprints, Gucci e até de sopa requentada.
Para começar, Briatore trouxe números de dar água na boca: a equipe de Enstone, que ele ajuda a reconstruir, viu sua avaliação saltar de US$ 80 milhões para US$ 3,5 bilhões. E, se depender dele, o calendário da F1 vai ganhar mais 24 sprints, porque quem quer ver só corrida normal, não é mesmo? Ele também contou como transformou uma ‘péssima ideia’ em um patrocínio de US$ 150 milhões, o tal acordo com a Gucci — que, segundo Darren Cox, cofundador do The Race, foi uma ideia exclusivamente sua. Genialidade ou loucura? Talvez os dois.
O que mais impressionou Darren foi a clareza de Briatore. Ele tem 24 anos a mais que o entrevistador, move-se com menos agilidade, mas a convicção continua intacta. ‘O resultado deve ser vencer, não turistar pelo mundo’, disparou. E essa mentalidade já faz efeito em Enstone: até a recepcionista da fábrica, segundo Darren, voltou a sentir que trabalha em uma equipe de corrida — algo raro na era das escuderias com 1.000 funcionários administradas por corporações sem rosto.
Claro que não faltaram as comparações com os tempos de Benetton, quando ele tinha Schumacher e depois Alonso. Hoje, a aposta é Pierre Gasly, que recebe elogios do chefe, mas Darren deixa no ar a pergunta: será que Gasly é o novo Schumacher? O tempo dirá. Por enquanto, ficamos com a imagem de Briatore comandando o circo, entre pizzas, sopas requentadas e a certeza de que, com ele por perto, a F1 nunca é chata.