Briatore vê F1 valendo US$ 10 bi e dispara: ‘Se a equipe fosse minha, eu já tinha vendido’
Ex-chefe de equipe compara valores de ontem e hoje, provoca com a venda da Alpine e ainda acha tempo para alfinetar a Renault.

Flavio Briatore voltou a mostrar que não perde o costume de soltar frases de efeito. Em entrevista exclusiva ao The Race Business, o italiano afirmou que a F1 pode ver equipes avaliadas em US$ 10 bilhões em poucos anos — e usou o próprio time que administra, a Alpine, como termômetro do crescimento. Para ele, a disparada é tão absurda que até ele, acostumado a negócios milionários, fica de queixo caído.
O ex-dono da Benetton lembrou que vendeu sua participação na equipe quando ela valia US$ 80 milhões. “Agora você fala em US$ 3,5 bilhões, US$ 4 bilhões. E todo mundo prevê que em três ou quatro anos vale US$ 10 bilhões”, disse. Quando perguntado se as avaliações já atingiram o teto, Briatore respondeu com sua típica ironia: “Se a equipe fosse minha, eu já teria vendido!”.
O papo veio à tona em meio à novela envolvendo a venda da participação de 24% da Alpine pertencente à Otro Capital, grupo que comprou a fatia em junho de 2023 por €200 milhões e que conta com nomes de peso como Patrick Mahomes, Travis Kelce, Rory McIlroy e Anthony Joshua. A Otro quer sair, mas a Renault, controladora da Alpine, interveio nas negociações com a Mercedes no fim de maio. Briatore, claro, tem opinião forte sobre o valor da equipe: para ele, a Alpine vale quase metade da própria Renault, que está avaliada em US$ 8,3 bilhões. “Temos uma oferta pela fatia de 24% com avaliação de US$ 3,2 bilhões. Estamos representando 40% ou 50% da Renault”, calculou.
A Renault ainda tem direito de veto sobre qualquer mudança na venda das ações da Otro até setembro, e o CEO da fabricante francesa, François Provost, já classificou a parceria como “não bem-sucedida”. Mas Briatore trata o assunto como quem não quer nem saber: “Não é problema meu, é mais questão da Renault”. Para ele, ninguém em sã consciência gastaria US$ 600 milhões para comprar uma minoria sem acordo com o sócio majoritário. “Nunca vi alguém gastar isso para ser assinado como parceiro sem concordar com a maioria”, ironizou, deixando claro que, para o time, a troca de parceiros é só mais um capítulo da novela.
Enquanto Briatore diverte com suas tiradas, o mercado de F1 segue aquecido. Resta saber se os US$ 10 bilhões são realidade ou mais um dos voos de imaginação do italiano — mas com esse histórico de timing para negócios, talvez seja melhor não duvidar dele. Se depender do bom humor do chefão da Alpine, pelo menos a entrevista valeu o ingresso.