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F1

Audi no meio-tempo: Bortoleto é o herói, Hulkenberg o imã de azar e a equipe finalmente engrena

De estreia com pontos a um jejum de dar sono, a Audi acordou antes das férias e mostra que o projeto de fábrica está, aos poucos, saindo do papel – com direito a pedra no botão de emergência.

Por Bruno Bandeira

A temporada de estreia da Audi como equipe de fábrica na F1 pegou o espectador desprevenido: começou com pontos na Austrália, engasgou por algumas corridas e, pouco antes das férias de verão, finalmente mostrou que o coração bate mais forte do que o motor da Sauber que ficou para trás. Com 12 pontos e a oitava posição no Mundial de Construtores, o time de Ingolstadt vive uma montanha-russa digna de parque de diversões — se o brinquedo fosse administrado por um engenheiro alemão com senso de humor duvidoso.

Quem tem puxado a carroça é Gabriel Bortoleto. O brasileiro, que muitos apostavam que passaria o ano na sombra do experiente companheiro, respondeu com 10 dos 12 pontos da equipe, incluindo dois oitavos lugares em Silverstone e Spa. A atuação na Bélgica, em particular, foi um show à parte: classificação em Q3, pneus gerenciados com a frieza de quem já nasceu no asfalto e pontos conquistados diante de 500 funcionários da Audi que foram assistir de perto. Para completar, a corrida marcou os quatro anos do anúncio oficial da entrada da marca na F1 — ou seja, um aniversário com bolo, vela e punta de velocidade.

Enquanto Bortoleto coleciona elogios, Nico Hulkenberg coleciona azar. Nas estatísticas de corrida, o veterano perde por 7 a 4 para o companheiro — e não é por falta de ritmo. O alemão já teve três abandonos, um não largada e um episódio digno de comédia pastelão em Barcelona: uma pedrinha levantada pelo carro de Liam Lawson acertou o botão de corte de energia da Audi e desligou o carro instantaneamente. Sim, uma pedrinha. Allan McNish, diretor de corrida da equipe, explicou que o sistema de segurança foi acionado, mas ficou no ar a pergunta: será que ninguém avisou Hulkenberg que a sorte, em 2026, tirou férias?

O melhor momento do time, no entanto, veio em sequência: após um jejum de corridas sem pontuar, a Audi somou nas últimas três provas antes do intervalo com um nono lugar de Hulkenberg na Hungria. “Já era hora”, disse o alemão, depois de finalmente quebrar o tabu. “Muitas vezes tive a chance, mas o destino resolveu outra coisa. Agora a peça caiu no lugar.” McNish, por sua vez, preferiu o discurso do copo meio cheio: “Seguimos para as férias com impulso positivo e lições valiosas. Vamos recarregar e continuar nossa evolução.” Com Mattia Binotto classificando 2026 e 2027 como anos de construção, está claro: a Audi veio para ficar, mas ainda está aprendendo a andar antes de correr — e, no meio do caminho, até pedra vira obstáculo.

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