Audi monta ‘escola de pilotos’ para não chegar atrasada no futuro da F1
Com Allan McNish no comando, programa já tem dois talentos no radar e um mentor que sabe onde o aperto aperta.

A Audi sabe que, na F1, não basta ter o melhor carro se o volante estiver nas mãos erradas. Por isso, antes mesmo de estrear como equipe de fábrica em 2026, a montadora alemã lançou em janeiro deste ano o seu Programa de Desenvolvimento de Pilotos (DDP). A missão, comandada por Allan McNish — o mesmo que já foi piloto de F1 e agora acumula o cargo de diretor de corridas — é garantir que os próximos talentos cheguem prontos para a briga de verdade. E, de quebra, evitar que algum jovem promissor se perca no caminho por falta de orientação.
McNish, que entende bem das dificuldades de chegar ao topo, revelou que a ideia começou a ganhar forma lá em 2023, quando a Audi ainda estava planejando sua entrada na categoria. Ele descreve o programa como um ‘organismo vivo’, ou seja, algo que respira, evolui e, vez ou outra, precisa de uma injeção de realidade. “Não é algo que você monta e deixa rodando sozinho”, explicou o escocês, que já viu de perto como a pressão pode transformar um piloto em uma batata frita ambulante se não houver estrutura.
Atualmente, o DDP tem dois pupilos de peso: Freddie Slater, que disputa a F3, e Emma Felbermayr, que está na F1 Academy. Para os dois, o programa vai muito além de dicas de pilotagem. Slater destaca o suporte para avaliar cada corrida e o treinamento de mídia — porque, sim, lidar com jornalistas também é parte da profissão. Felbermayr, por sua vez, agradece o reforço na parte física, com exames completos e acompanhamento médico. Afinal, não adianta ter talento se o pescoço não aguentar a aceleração lateral.
E tem mais: a ex-pilota da F1 Academy, Carrie Schreiner, entrou como mentora da jovem austríaca. Para Felbermayr, ter alguém que já viveu o dia a dia da categoria é como ter um GPS emocional: ajuda a evitar as rotas mais esburacadas. McNish também faz questão de lembrar que o programa tem uma ‘obrigação moral’ de preparar os pilotos para a vida, independentemente de chegarem ou não à F1. Porque, no fim das contas, nem todo mundo vai virar campeão mundial — mas todo mundo pode sair dessa experiência com a cabeça no lugar. E, convenhamos, isso já é mais do que alguns pilotos veteranos conseguem.