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F1

Aston Martin aposta em motor 'secreto' da Honda para escapar do fundo do poço

Honda leva especificação 2 para Zandvoort prometendo mais performance — e menos vibração para Alonso e Stroll.

Por Bruno Bandeira

A Aston Martin vive um 2026 para esquecer. Penúltima no Mundial de Construtores, a equipe viu o motor Honda quebrar mais do que prometeu e ainda teve que lidar com vibrações que fizeram até Adrian Newey se preocupar com a saúde dos pilotos. Mas as férias de verão chegaram, e com elas a esperança — ou pelo menos uma boa dose de otimismo — de que o pior já passou. Na Holanda, a Honda promete estrear uma nova especificação de motor.

O engenheiro-chefe da Honda, Shintaro Orihara, fez mistério, mas abriu o jogo (ou parte dele): ‘Nosso foco é melhorar o desempenho para uma combustão mais rápida. É meio que um segredo, mas posso revelar um pouquinho.’ E o ‘pouquinho’ inclui mudanças na câmara de combustão, no formato do pistão e no sistema de lubrificação. Tudo isso com um risco ‘bastante grande’, nas palavras dele, mas com a meta interna atingida. Ou seja: confie na gente, a gente sabe o que está fazendo.

O que ajuda a explicar a ousadia é o ADUO, o sistema da FIA para fabricantes em déficit. A Honda pode mexer no motor ainda este ano e no próximo, e rumores indicam que ela está 4% atrás da Ford (que fornece a Red Bull). Com isso, ganhou o direito a duas atualizações em 2026 e mais duas em 2027. Não é à toa que a equipe está animada: em vez de esperar a próxima temporada, ela vai tentar remediar o estrago já nas próximas corridas.

Os problemas, porém, não foram poucos. A Honda sofreu com confiabilidade desde o shakedown, e as vibrações do motor viraram um pesadelo para Alonso e Stroll. Newey chegou a alertar para o risco à saúde dos pilotos. No GP da Hungria, uma enxurrada de 16 modificações no carro ajudou a ganhar posições, mas ainda ficou fora dos pontos — o 16º tempo de Alonso no sábado foi o melhor resultado do time até ali. Ou seja: o chão é logo ali embaixo, mas a escada pode estar no motor número 2.

O GP da Holanda, em Zandvoort, será o primeiro teste real da nova unidade. Jak Crawford já testou o motor em uma filmagem na Hungria, e a equipe parece confiante. Resta saber se a especificação 2 vai dar à Aston Martin o empurrão que ela precisa para sair da lanterna. Se funcionar, ótimo: Alonso e Stroll finalmente poderão se preocupar com ultrapassagens, em vez de massagem para a coluna. Se não funcionar, bem, sempre há o próximo ano. E o ADUO para ajudar.

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