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F1

Antonelli passa o verão na liderança e transforma a Mercedes em território de um 'novato' de 19 anos

Com 50 pontos de vantagem, Kimi Antonelli faz da pausa de verão da F1 um déjà vu histórico — e George Russell que se cuide.

Por Bruno Bandeira

Quando a Mercedes desembarcou na pré-temporada de 2026 com um carro voando, os holofotes apontavam para George Russell. Fazia sentido: o inglês era o piloto experiente, o cara que havia vencido na Austrália e prometia brigar pelo título. Só que ninguém avisou Andrea Kimi Antonelli, que decidiu transformar a temporada em um show solo. Aos 19 anos, o italiano chega às férias da F1 com 50 pontos de avanço — um número que, historicamente, costuma deixar os concorrentes com insônia.

A vantagem de Antonelli entra para o top 6 das maiores diferenças na liderança no intervalo de verão desde 2010, e o retrospecto é animador para o lado de Brackley: dez dos 17 pilotos que lideravam neste ponto do campeonato terminaram com o título no bolso. Vettel, Hamilton e Verstappen fizeram isso repetidas vezes. Claro que há exceções — como Webber, Alonso, Rosberg e Piastri, que têm traumas até hoje — mas para um garoto que era tratado como aposta, a estatística é um colírio.

O caminho até aqui foi um roteiro de cinema. Depois de um segundo lugar na Austrália atrás de Russell, Antonelli venceu na China e engatou cinco vitórias seguidas — uma sequência que incluiu um Grand Chelem e o título de mais jovem a conseguir tal feito. Em paralelo, Russell viveu um caos digno de novela: punição em Mônaco, quebras, safety car maluco no Japão e até um motor que resolveu tirar férias na largada da Hungria, obrigando o inglês a uma corrida de recuperação para ser sétimo. Enquanto isso, Antonelli, com a frieza de um veterano, foi somando pontos e ampliando a vantagem.

O pequeno período de vacas magras após o abandono em Barcelona — a primeira vez que ele viu a bandeira quadricada por fora — serviu apenas para mostrar que o italiano também é humano. Mas a resposta veio com vitória na Bélgica e um terceiro lugar na Hungria, que deixou o agora vice-líder Lewis Hamilton a uma distância confortável. E olha que Hamilton é nada menos que heptacampeão mundial, mas até ele parece ter batido de frente com um furacão chamado Kimi.

Se a história serve de guia, Antonelli pode repetir o feito de Vettel, Hamilton e Verstappen, que transformaram liderança no verão em caneco no fim do ano. E a torcida italiana já sonha com algo que não vê desde os tempos de Riccardo Patrese — que, aliás, agora divide com o garoto o posto de segundo italiano com mais vitórias na história, com seis. Se o jejum de títulos da Itália na F1 está perto do fim? Vamos descobrir depois das férias, mas por ora, a Mercedes pode trocar o lema para: ‘In Kimi we trust’.

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