Antonelli dispara, Hamilton renasce e a F1 de 2026 mostra que previsão é para amadores
Antonelli lidera, Hamilton renasce e a guerra do desenvolvimento vira novela: as lições da primeira metade de 2026.

Assim como em toda boa novela, a temporada 2026 da Fórmula 1 chegou ao intervalo com mais reviravoltas do que um episódio de ‘Round 6’. Se você pensou que dava para prever o campeonato depois da Austrália, o grid tratou de rir da sua cara. A pausa de verão é o momento perfeito para olhar para trás e admitir: quem não levou a sério a guerra do desenvolvimento já está sentindo o peso do próprio carro – no bom e no mau sentido.
O italiano Kimi Antonelli, que estreou com 18 anos e passou o ano passado apanhando um pouco na Europa, resolveu que 2026 seria a sua vez de assustar. Ele começou com um segundo lugar na Austrália, venceu na China, depois no Japão, e de repente era o líder do Mundial mais jovem da história. Mais vitórias em Miami, Canadá e Mônaco – e, sim, ele também teve um abandono em Barcelona por problema mecânico, porque seria injusto com os rivais se ele fosse perfeito. O garoto vem pontuando como um veterano e, se você ainda não acreditava, é hora de acreditar: a Mercedes tem um novo canhão.
E falando em gente que renasce das cinzas: Lewis Hamilton, que em 2025 parecia um turista perdido na Ferrari, chegou em 2026 com a corda toda. Depois de um inverno para renovar as energias, o britânico subiu ao pódio na China, repetiu no Canadá e em Mônaco, e finalmente conquistou sua primeira vitória vestido de vermelho em Barcelona – com aquele seu jeito de quem está em casa. ‘O ano passado não foi bom em muitos aspectos. Há mais harmonia na equipe. Estou mais em forma, mais saudável e cheguei com uma atitude muito melhor’, disse ele, como quem avisa que o velho Hamilton voltou. E voltou para atrapalhar os planos de Antonelli.
Enquanto isso, a tal da corrida de desenvolvimento prometida antes do início da temporada virou uma festa de atualizações, com cinco pilotos de três equipes diferentes vencendo as cinco corridas antes do intervalo. A Mercedes, que parecia imbatível na Austrália, agora divide a atenção com Ferrari e outras. Na zona intermediária, a Racing Bulls assumiu a liderança do pelotão, enquanto a Alpine, que começou bem, despencou para sexto – o diretor Steve Nielsen já fala em ‘guerra de desenvolvimento’. A Haas, coitada, admitiu que foi deixada para trás no desenvolvimento. A temporada mal chegou à metade e já tem cara de campeonato só de maluco.
No fim do grid, a realidade bateu à porta de Williams e Aston Martin. A Williams, que sonhava em subir para cima, está em nono, com um carro acima do peso (curiosamente, não é um competidor de sumô) e um planejamento que esqueceu o shakedown de Barcelona. A equipe promete atualizações no Azerbaijão, e a Aston Martin, que sofreu horrores no início, mostrou sinais de melhora na Hungria. Pelo menos um time novo apareceu para alegrar o parque fechado: a Cadillac, 11ª equipe da história recente, comandada por Graeme Lowdon e com Sergio Perez e Valtteri Bottas no cockpit, chegou sem alarde, mas já mostrou que não veio só para participar. Se vai continuar assim, só a segunda metade dirá – mas, pelo que vimos, ninguém está com vontade de fazer previsões.