Alpine, o time que quase triplicou os pontos e ainda assim anda para trás
De pódio em Mônaco a críticas de 'carro lento': o semestre da Alpine tem altos, baixos e um head-to-head que ninguém pediu.

Foto: Formula1.com / Foto original da matéria-fonte
Se você é fã de montanhas-russas emocionais, a Alpine é o time perfeito para acompanhar em 2026. A equipe de Enstone já triplicou os pontos que marcou no ano passado – quando terminou em último no Mundial de Construtores – e ainda sonha com o título simbólico de ‘melhor do resto’. Mas, como todo bom enredo dramático, a coisa desandou nas últimas corridas, e agora eles assistem a Racing Bulls sumirem no horizonte com seis pontos de vantagem. O que houve?
O ponto alto, sem surpresa, foi o pódio de Pierre Gasly em Mônaco. O francês largou em nono, se beneficiou de dois Safety Cars, uma bandeira vermelha e da penalidade de George Russell para terminar em quarto na pista. Só que a comissão de prova, num surto de criatividade, resolveu puni-lo com dois tempos de penalidade que ele nem sabia que existiam, jogando-o para sétimo. Depois do drama inicial, a Alpine pediu um Right of Review, venceu, e Gasly foi reconduzido ao degrau 3 do pódio. Azar do Isack Hadjar, que teve que devolver o troféu. Falando nisso, alguém avisa o Gasly que ele agora tem um pódio ‘das antigas’, daqueles que você só comemora cinco dias depois?
No duelo interno, Gasly domina com folga: 9 a 2 na classificação e 7 a 4 nas corridas. Franco Colapinto até mostrou serviço, com um sexto lugar no Canadá – ainda que uma volta atrás dos líderes, mas quem conta detalhe em dia de festa? – e o francês segue como o principal motor de pontos da equipe: dos 61 pontos somados, 42 são dele. A consistência de Gasly virou quase uma lenda, com sete corridas seguidas marcando pontos, até o GP da Áustria, que ele próprio classificou como ‘a mais difícil da temporada’. Deve ter sido aquela hora em que o carro resolveu tirar férias.
Nas entrelinhas, o problema maior é que a Alpine anda para trás enquanto a Racing Bulls acelera. O time de Faenza implementou upgrades que funcionaram, e tanto Liam Lawson quanto o novato Arvid Lindblad andam voando. Na Bélgica, Colapinto até chegou em décimo, mas saiu do carro reclamando que ele estava ’lento demais’. Quando um décimo lugar não anima ninguém, é sinal de que o diagnóstico é grave. Na Hungria, então, foi o ápice do mau humor: Gasly e Colapinto terminaram em 12º e 15º, e a Racing Bulls assumiu de vez a quinta posição no campeonato.
E o pior momento do ano? Além dos finais de semana sem pontos, teve aquele voo não programado de Gasly em Miami, quando ele tocou na traseira do carro de Liam Lawson e capotou no ar antes de bater nas barreiras. O francês saiu ileso, mas a cena ficou na memória – e no replay. O susto foi grande, mas pelo menos serviu de lembrete de que, na F1, até os voos rasantes são involuntários.
Agora, com as férias de verão batendo à porta, a Alpine precisa descobrir um jeito de parar a sangria. Mais atualizações devem chegar para os dois lados, e a esperança é que o time de Enstone desbloqueie um ritmo extra, conte com a consistência habitual de Gasly e convença Colapinto a andar no mesmo nível. Se não, o ‘best of the rest’ vai virar ‘best of the rest… in peace’.