Alpine mantém Colapinto para 2027: conservadorismo pago a peso de ouro?
Com patrocínio milionário e desempenho razoável, argentino fica na vaga; críticos apontam que a equipe preferiu o caminho seguro.

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte
A Alpine oficializou o que já era esperado: Franco Colapinto seguirá no carro da equipe em 2027. A decisão, que veio após uma trajetória de altos e baixos do argentino, agrada aos patrocinadores, mas faz os puristas do automobilismo coçarem a cabeça. Em um esporte onde a ousadia costuma render frutos, a equipe francesa — agora cliente Mercedes — preferiu o conservadorismo, ou, como diriam os mais cínicos, a conta bancária.
Colapinto não tem sido um desastre, mas também não é exatamente a próxima estrela do grid. O argentino fica, em média, 0,176s atrás de Pierre Gasly na classificação — uma margem aceitável para quem não quer pagar mico, mas longe de empolgar. E os números de pontos? Menos da metade do companheiro de equipe. Enquanto isso, nomes como Yuki Tsunoda ou Liam Lawson, que poderiam render mais pontos, ficaram de fora. Mas quem precisa de pontos quando se tem o Mercado Livre no bolso? A gigante sul-americana, avaliada em US$ 100 bilhões, garante que o cofrinho da Alpine fique bem recheado.
O mais irônico é que Colapinto deve sua vaga na F1 justamente à ousadia da Williams, que apostou nele sem medo. Agora, a Alpine resolveu ser a tia conservadora da família. E o que dizer dos juniores da própria equipe? Gabriele Mini e Alex Dunne estão no top 4 da F2, Paul Aron é o reserva, mas nenhum deles teve chance sequer de sonhar com a vaga. Flavio Briatore, o chefão que adora um risco, deve estar revirando os olhos — ou calculando os números do patrocínio.
A situação lembra a de Sergio Perez, que sobreviveu anos na F1 graças ao apoio da América Móvil. Colapinto tem o mesmo estilo: não é o mais rápido, mas pontua de vez em quando — como os top-7 em Miami e no Canadá — e traz uma exposição gigante para o mercado sul-americano. Chamá-lo de ‘piloto pagante’ seria injusto; ele tem talento. Mas, convenhamos, o talento fica bem mais bonito quando vem acompanhado de um bilhete de banco.
Para 2027, a dupla Alpine-Colapinto parece um casamento por conveniência. O argentino fica porque é seguro; a equipe fica porque o dinheiro ajuda. Se isso vai se transformar em uma história de amor ou em um divórcio litigioso, só o tempo dirá. Por enquanto, resta aos fãs torcer para que, nos próximos 12 meses, Colapinto mostre que a decisão foi mais do que uma questão de equilíbrio fiscal.