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F1

Albon desabafa: regulamento 2026 'neutrou' suas curvas favoritas e ele vai apelar para a simplicidade

Piloto da Williams vê as novas regras como vilãs do seu desempenho, mas promete foco total na pilotagem.

Por Bruno Bandeira

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte

Alex Albon, recém-recomprometido com a Williams até 2027, resolveu colocar a culpa no regulamento. Não, não é o carro, nem o time, nem o companheiro de equipe. Segundo ele, as regras de 2026 tiraram exatamente o que ele fazia de melhor: curvas de alta velocidade. ‘Cadê elas? Agora ou é de pé embaixo ou chega-se tão devagar que não é mais alta velocidade’, filosofou ele. Parece até o lamento de um piloto que perdeu sua identidade.

O desempenho na pista não ajuda a contradizê-lo. Albon foi superado por Carlos Sainz nas classificações por 12-1, com quase três décimos de média. Ele até marcou cinco dos 11 pontos da Williams, mas é difícil argumentar que o espanhol não é o homem da vez. E não é só questão de velocidade: a equipe sofre com confiabilidade, consistência e um carro mais lento que o esperado. Para completar, os caprichos das unidades de potência de 2026 deixam todo mundo de cabelo em pé — até mesmo George Russell, da Mercedes, teve problemas de implantação revelados após Spa.

Albon admite que é ‘muito difícil apontar’ o que está sob controle dele. ‘Tem muita coisa acontecendo. Você pode imaginar que se a equipe de fábrica está sofrendo, as clientes sofrem também’, disse ele. E completou com uma analogia que só um piloto entende: ‘É muito psicológico esse ano. A gente fica apagando incêndios.’ Ele lembrou que até Sainz passou pelo mesmo problema, então não é desculpa, é um mistério técnico.

A grande reclamação, no entanto, é o sumiço das curvas de alta velocidade. Albon se considera um especialista nesse tipo de curva, mas agora elas são planas ou abordadas tão devagar que não testam mais ninguém. A telemetria entre companheiros de equipe em Silverstone e Spa mostra que as diferenças estão na implantação no fim das retas, não nas entradas de curva. Ou seja, o jogo virou um ‘quem tem o melhor software’, não ‘quem tem mais peito para encarar a Eau Rouge’.

Sua solução? Abrace a simplicidade. ‘Nos últimos três ou quatro fins de semana, eu simplesmente dirijo e deixo a engenharia com os engenheiros’, contou. Ele compara a temporada a uma ’lista de tarefas’ onde os problemas vão sendo riscados um a um. E, para quem pensava que ele ia se complicar com o ‘box cinza’ na cabeça, a resposta é direta: ‘Se fizer feito, deixe a engenharia cuidar da engenharia.’ Depois de tanto mistério, é bom ver alguém apelando para o básico. Quem sabe assim Albon encontre de novo o caminho para as curvas — e para os pontos.

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