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F1

100 anos do GP britânico: Brooklands faz festa com 120 carros e elegância de outro século

Evento reuniu máquinas centenárias e F1 moderna, com direito a V16 da BRM, Concorde aberto e troca de roda para o público.

Por Bruno Bandeira

Foto: The Race / Foto original da matéria-fonte

Se você acha que aniversário de 100 anos é só bolo e vela, não conhece Brooklands. Nesta comemoração do primeiro grande prêmio da Grã-Bretanha — realizado ali mesmo, na pista que foi o primeiro autódromo do mundo — a festa teve 120 carros de corrida, dos Sunbeams e Bugattis centenários até a McLaren campeã de Ayrton Senna em 1991. Isso sem falar no Tyrrell de seis rodas, na Benetton de Michael Schumacher, na Jordan de 1998 e no carro da Brawn GP, que marcaram mais épocas do que a novela das nove.

O evento escalou três apresentações. Primeiro, os veteranos de 100 anos foram soltos na reta de chegada, dois ou três de vez, para atravessar uma chicane de fardos de feno e dar meia-volta na curva inclinada. O detalhe curioso é que muitos carros tinham piloto e passageiro — porque antigamente o mecânico andava junto, provavelmente segurando a lista de peças de reposição e torcendo para a embreagem aguentar.

Depois veio o teste de subida, que exigiu fôlego até da equipe de fora. Alguns jornalistas subiram a pé até a ponte para ver de perto os carros centenários arrancando ladeira acima, com a torcida vibrando. E no fim, a pista da Mercedes-Benz World foi aberta para as máquinas soltarem a voz: o Cosworth DFV, o V12 da McLaren-Honda e o lendário V16 da BRM — um som tão épico que até hoje os fones de ouvido pedem arrego. Os antigos ainda fizeram questão de dar um show de traseira, escorregando de lado para lembrar que dirigir aquilo era mais arte que ciência.

Para quem achou pouco, tinha interação. A McLaren armou um desafio de pit stop para o público trocar uma roda de F1 — porque nada mais democrático do que suar a camisa no lugar do mecânico. Também havia simuladores para os amadores tentarem a volta rápida e uma exposição do McLaren Senna com o carro real e a versão em Lego, para os dois públicos: os que gostam de velocidade e os que gostam de paciência. E, de bônus, o Concorde estava de portas abertas, provando que Brooklands sabe juntar asas e rodas sem medo de exagero.

Se depender da imprensa, essa festa vira tradição. Brooklands não é só um pedaço de asfalto; é um mergulho no tempo que ainda consegue fazer carro de 100 anos parecer mais divertido do que muito lançamento atual. Que venha o bicentenário, com a mesma trilha sonora — e que o V16 continue cantando, porque esse repertório não pode envelhecer.

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